Brasile, perché no?, por Rui Daher

Mas, como escreveu Chico Buarque a Augusto Boal, vou levando, enquanto surjam forças que consigam construir uma aliança democrática para vencer o fascismo e mo permitam estar aqui ainda presente.   

Brasile, perché no?, por Rui Daher

Ma signori, raggaze, cosa vi aspettate ancora dal Brasile? Futuro, giustizia sociale? Per favore, dimenticalo.

De onde estou, gostaria de encontrar Rosselini, Sicca, Visconti, Fellini, Monicelli, Antonioni, Toto, Aldo Fabrizi, Alberto Sordi, Vitorio Gassman, Fernandel, o melhor de Cineccità.

Se alguns leitores e leitoras puderem me ajudar, agradeço. Aqui estou e em CartaCapital estou, por saber que me apreciarão nas grandes folhas e telas cotidianas, até porque, mesmo pago, não aceitaria escrver para a hipocrisia, aquela que, ao juntar colunistas de direita e esquerda, se fazem neutras. Vão às suas linhas editoriais e confiram. Elas, como é de meu baixo calão, à merda.

Sou CartaCapital e GGN, e mais não quero ou digo. Ah, também, para o Facebook. N&P são curtos e detestam tuítar. Tenho, também, feito umas precárias transmissões ao vivo, na página da Biocampo. Lamentarão a infelicidade, mas nesta idade, se eu não me expressar, ficarei apenas ouvindo serestas de Sìlvio Caldas, o que já é muito bom.

Ah, a agropecuária, os agronegócios, o que gosto de ver assim do alto, como sugere Paulinho da Viola à Mangueira, e com a lupa, como sugiro eu a quem quiser saber de agricultura familiar, dos  assentamentos MST, e da agroecologia.

Embora não para CartaCapital, mas para o BRD, hoje escrevo do agro, termo com que implico, velho chato, como faço quando tratam São Paulo de Sampa (só o permito a Caetano Veloso) ou a Florianópolis, de Floripa. Lindas mocinhas do tempo da Globo, não mudem o nome da capital do estado de Santa Catarina.

E agora? Fodeu, não?

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No início de 2016, quando CartaCapital, lançou seu site, eu estava todo feliz. Na festa de lançamento, Mino surgiu garboso. Eu , orgulhoso de lá estar, planejava o livro de crônicas com o que havia escrito no Luís Nassif Online (acho que ainda não era GGN). No final do ano, contrariado com o impeachment de Dilma, lancei “Dominó de Botequim”, com os indispensáveis capítulos escritos pelo historiador de botecos, Luiz Fernando Juncal, e o Manoel Pires, da Federação Paulista de Dominó. Na capa uma lindeza antológica de Pilar Velloso, e na contra Márcio Alemão, fraterno amigo, e revisão do Ali. Cozinha das melhores pro meu primeiro samba.

Pra quê, então, veio, afinal, o golpe de Estado? Para a estupidez do hoje em dia?

Bolsonaristas, infelizmente, amigos, veem vírus e verme, sem ligar, acelerando a minha finitude. Não esperava algo tâo drástico.

Mas, como escreveu Chico Buarque a Augusto Boal, vou levando, enquanto surjam forças que consigam construir uma aliança democrática para vencer o fascismo e mo permitam estar aqui ainda presente.

Não revelo pretensões partidárias no momento. Desde a sua  fundação nunca deixei de votar no Partido dos Trabalhadores (PT). Eventualmente, em segundos turnos posso ter ido de tucanos ou, galhofeiro, nos PSTU e PCO. Não me lembro. De esquerda, desde que estudante secundário, vendo, através dos beneditinos, um Brasil miserável, de onde tiraria transformação social? Do decrépito e afogado PCB, dos mártires Luiz Carlos Prestes e Olga Benário? De Pagú, e mais tarde Marighella, Lamarca, minha amiga da Maria Antônia, a judia Iara Iaverberg? Tantos mais torturados e assassinados por quem hoje nega a história que vimos ser contada em nossas carnes e USP. Preferi continuar, como sou hoje. Quem não gostar, que se foda! Fico só, e para não dizer que não falei de agropecuária, como prometi lá em cima, este ano, tranquilizem-se, vistos assim do alto, serão vencedores.

Depois disso, acertem-se com Jair Bolsonaro, clã e acólitos. Eles os liquidarão em poucos anos, embora eu pense, que mesmo tendo votado nele, esperando um mito, vocês acabaram engolindo um misto de presunto podre e queijo rançoso. Quem planta é melhor e muito mais forte do que eles e entenderão, pois trabalham. Impeçam, pois, perderem mercado externo pelas imbecilidades de, principalmente, dois de seus ministros, o do Meio Ambiente e o de Relações Exteriores. Nem esqueçam o ministro da Economia, que destroi o mercado interno, que para nós produz alimentos.

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Fora empresas de delivery, streaming de mídia e educação digital, crescerão após a Covid-19, quem mais rapidamente voltar à normalidade. Serviços financeiros, transportes urbanos e  rodoviários, telecomunicações, E NÓIS! Da agricultura! Sabem por quê? Porque, seja no trailer de fast-food da esquina, no restaurante a quilo do Josias, na barraca de cachorro-quente, no pasteleiro da feira-livre, nos restaurantes do povo chique, cada vez mais afortunado, TODOS TERÃO QUE COMER EM ALGUM LUGAR!

Inté.

 

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