Cibernética e pandemia, por Izaías Almada

Alguém já disse no passado que “nem tudo que é novo é revolucionário”. Eu até arriscaria dizer que o novo pode muito bem servir a causas conservadoras e, porque não dizer, reacionárias.

Cibernética e pandemia

por Izaías Almada

Uma nova era já começou. E chegou sem avisar a nós seres humanos os reais perigos que poderíamos enfrentar.

O computador e o seu exército de máquinas, as mais variadas e incríveis, desenvolve dia a dia enormes possibilidades de novas invenções.

Contudo, por trás desse jogo de novidades quase que diárias, há um fator que não pode ser esquecido: o próprio homem.

Alguém já disse no passado que “nem tudo que é novo é revolucionário”. Eu até arriscaria dizer que o novo pode muito bem servir a causas conservadoras e, porque não dizer, reacionárias.

E quando digo isso, estou aqui pensando na viagem que fez o “homem mais rico do mundo” ao espaço numa viagem de dez minutos ou pouco mais, enquanto milhões de pessoas ainda passam fome aqui na terrinha.

De acordo com recente relatório da ONU sobre a fome no mundo em 2020, uma em cada dez pessoas está subnutrida na Terra. O mesmo relatório afirma que a desnutrição e a insegurança alimentar aumentaram com o surgimento da pandemia.

Quanto terá custado a viagem do miliardário? Será que 10% da sua fortuna não ajudariam a diminuir a fome em África ou por aqui mesmo na América do Sul?

Esse, no entanto, é um argumento ultrapassado para os dias que correm. A pandemia do nosso “amigo” coronavírus se encarregou de demonstrar a todos nós, sem distinção, que a natureza já está cansada de ser maltratada e destruída e que, a qualquer momento, a situação pode piorar ainda mais.

Aqui ao sul do Equador, nesse surrealista país chamado Brasil, muitos problemas se agravam da noite para o dia, governados que somos por alguém totalmente insensível ao que se passa à sua volta, exceto – é claro – quando o assunto é falar mal dos “comunistas” ou falar mal de quem quer que seja, mesmo do seu partido.

Tudo indica que a CPI da Covid descobriu um grande assalto ao patrimônio público quando o Ministério da Saúde entrou num leilão de vacinas, onde quem desse o melhor lance nas propinas abocanhava milhões de reais.

Se isso, entre outros fatores, ajudou a atrasar a vacinação dos brasileiros, qual o problema?  Que morram quase 600 mil ou mais brasileiros? Qual é o problema? Farinha pouca, meu pirão primeiro, dirão os milicianos.

O Brasil já não conhece o Brasil. As queimadas aumentam na Amazônia a cada ano que passa; indígenas são ameaçados de morte; deputado ameaça duas colegas no Congresso Nacional; na Assembleia paulista deputada tem os seios apalpados em plena sessão legislativa e há exatamente uma semana a deputada Joice Hasselmann, segundo sua versão, sofreu um atentado dentro de casa, sem que ela o marido dessem conta da presença de algum estranho.

Um clima abafado se mistura ao nosso cotidiano, criando um ar pestilento que sopra de Brasília sobre todo o território.

Até onde a corda vai esticar?

Nada será como antes amanhã, como dizia um dos versos de Milton Nascimento. Ouçam abaixo na voz da saudosa Elis Regina.

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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