Crônica de “Bom dia tristeza”. Eles ganharam, mas a rosa vermelha é do bem querer, por Rui Daher

Somos assim, pensamos, lemos e divergimos. Assim nossa democracia, que nunca a entenderão.

Crônica de “Bom dia tristeza”. Eles ganharam, mas a rosa vermelha é do bem querer

por Rui Daher

Depois ditadura civil-militar (1964-1985), quando então o adversário era explícito, a maior parte do tempo estivemos num jogo de futebol em que os árbitros, o menor deles, seria um medíocre capitão, há quase trintas anos sem fazer coisa nenhuma, como reconhecem até seus próprios superiores. Um nulo, que apenas sonhava com o Poder, e suas ideias mortíferas.

Aconselhava-se com marqueteiros norte-americanos, para ser eleito e, em troca, entregar nossas riquezas e soberania. A resposta veio óbvia. “Use as cartas curitibanas que tem escondidas na manga. O caminho é certo.”

Pediu chance para mais uma pergunta. Querem, em troca, o mundo árabe com a Palestina?” “Ôpa, claro. Copie descaradamente Fernando Collor e os seus marajás do setor público”. “Agora, esta vai de graça: mire na Petrobras”.

Raro lampejo de inteligência, pensou, de graça? Perguntou aos filhos e a resposta veio rápida e em quarteto (“Keds” estava presente): “Manda ver. Tanto faz. Os milicos nacionalistas, deixem, não apitam nada. A rigor, através dos tempos, nunca nos deixaram  perder o jogo. Assim funcionou e se perenizou o Acordo Secular de Elites”.

DESISTO OU CONTINUO, parvo esquerdista que sou?

Naquele futevôlei, Copacabana, posto 6, Lula era o troféu da peteca em jogo. Foi muito o medo, não? Ganhariam? Sim, do único presidente a nos trazer alguma dignidade. Entenderam ou apenas foram pacientes e esperaram nossas divisão e burrice?

Somos assim, pensamos, lemos e divergimos. Assim nossa democracia, que nunca a entenderão.

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Antes da“Gripe Bolsonaro”, aquela que piora a cada dia, o motorista nordestino que me conduzia ao trabalho: “[Lula] Ajudou-nos muito, o Nordeste progrediu muito, mas ele roubou”. Pergunto: “Ele? Moro, PF, MPF, a Globo, nada descobriram e provaram”.

O motorista, ouvindo a Alpha FM (suplício de empesa que ainda não pode me proporcionar um
fusca 67).

“Lula é safo. Ele não, mas seus filhos, estão bilionários”.

Respondo: “Como soube?”

“A Jovem Pan, CBN, Globo, feitas para que Lula fosse preso e não pudesse concorrer?”

“São gravações comprovadas do “The Intercept”, ? Ou aquela foto de Lula, caixa de isopor, com prováveis cervejas, não seríamos nós? O neto, mal diagnosticado, morto e mal diagnosticado no São Bartira, do ABC, e não no Einstein, como Queirós, dançando, não seríamos nós, ambos desempregado?

Nem assim você cai na real?

Volto ao celular e a conversa, para minha graça  termina. Ele volta.

“O senhor é petista?”

“Sou”.

Silêncio dele, resposta minha, ao mesmo tempo trágico e risível.

“Sapurquê? Porque há mais de cinco séculos vocês repetem mais do mesmo, e se fodem, como a nós  e vocês, indígenas, negros, mamelucos, sertanejos, campesinos, imigrantes pobres, ativistas de esquerda que aqui vieram para sobreviver, melhorar de vida e fazer nação nova e rica de recursos naturais, crescer, ânus ao ar, aceitando”.

– Os políticos …

– Não me venham essa, mas vocês, e seus medos. Venham! Se isso querem. Arrobem-nos! Temos ombros e ânus largos, vagas elucubrações. Somos apenas voluntaristas, aqui nos servindo enquanto todos que escrevem à direita são positivistas, ou fingem sê-los.

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– Então, bem de vida, lutam por quê?

– O que esperamos? Menor desigualdade social, crianças morrendo de frio nas ruas, doenças por falta de esgoto e saneamento, mortes em bares de chacina das periferias, crimes machistas e sexuais, filas para atendimento na saúde púbicas, e vocês educarem seus filhos, no mesmo nível que os fazemos. É justo. Percebeu? Ou eles ou nós?

Ofereci ao motorista, pelo aplicativo, gorjeta de R$ 5,00 (o máximo sugerido). Por que não?  Se ele quer mais do que isso?

 

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