Daher & Cia., por Rui Daher

A família Daher que se fixou em Goiás veio da aldeia Cheikh Taba, no Líbano, fundada por volta de 1680 pelo xeique Youssef (José) Daher.

Daher & Cia.

por Rui Daher

Em 24 de julho, aqui escrevi “Adeus João Sinibaldi, primo querido”. Ele falecera três dias antes, ainda jovem, por Covid-19. Ao desculpar-me pela não impessoalidade do texto, continuava: “João era Daher por parte de minha tia Sálua, mas ficou Sinibaldi, ela casada com o tio Nélson. E este é um causo”.

Pois é, o causo veio dar no que é o pertencimento familiar. Na infinidade de amor e paz que isso nos traz ou, pelo menos, deveria trazer, se não impedido por ganância e méritos de quem pensa os ter, mas não, as oportunidades não surgem iguais para todos.

Entre a doença danada e o falecimento não foram muitos dias, e sim trocas frequentes de mensagens entre nós primos, querendo saber de seu estado de saúde. Cada um de nós, em momentos, dias, vidas e cidades.

Bem, como é do viver, hoje em dia, parecem ser cada vez mais cruéis as despedidas.

Na falta do encontro feliz, como aconteceu em 2017, quando visitei a ‘primaiada’, conheci com quem se casaram, seus filhos, netos, e voltei a ver o único tio ainda vivo, Zezinho, que tanto alegrou minhas infância e adolescência. Nunca deixou barato minhas frescuras da “capitá”. Nem imagina, Zé, o quanto me ensinou.

O tronco que nos trouxe até aqui era formado pelo libanês Miguel Abdala Daher (1878) e a síria Maria Abrão (1892), tornada Daher. As datas fazem sentido, em pequeno trecho de Wikipedia:

A família Daher que se fixou em Goiás veio da aldeia Cheikh Taba, no Líbano, fundada por volta de 1680 pelo xeique Youssef (José) Daher. Ele gerou Miguel, que gerou um segundo José, que gerou um segundo Miguel. Dois filhos deste vieram para o Brasil em 1904.

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Se assim foi, vô Miguel teria chegado ao Brasil com 22 anos, prontinho para iniciar nossa dinastia com Maria, e aqui estamos há 340 anos, trocando nascimentos e lutos. Os patronos, nosso tronco brasileiro e rio-pretense, desde suas mortes, vem de 1949 e 1979, respectivamente.

De lá para cá, viemos rolando numa infinidade de momentos felizes.

Minhas férias, infância e adolescência, eram em São José do Rio Preto. No início, com minha mãe, Yolanda. Íamos de trem e fazíamos baldeação em Araraquara. Depois, sozinho, de ônibus.

Mais frequente, me hospedava com os primos Sinibaldi: as longas mesas de almoço e jantar oferecidas pela tia Sálua; a folia nos quartos com os primos; a fábrica de refrigerantes dos Irmãos Sinibaldi; sua distribuidora de cervejas; as andadas até o clube Palestra para nadar; bailinhos e bailes de Carnaval, no Monte Líbano; os enormes “sundaes” nas Lojas Americanas, se não me engano; as visitas aos tios e primos que moravam na Vila Hercília; quermesses na praça em frente à igreja; de volta ao centro, o footing todas as noites e nas manhãs de domingo, as matinês de cinema, primeira vez em que assisti aos cowboys Roy Rogers e Gene Autry.

Uma última confissão deste cronista inveterado, que assim como faz ficção, também admite confissões. Singelas, inocentes, mas verdadeiras e, creio, pouco percebidas.

Na volta das férias para São Paulo, não havia vez que não voltasse apaixonado. Problema: pela prima Marilene.

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Linda: rosto e jeito da atriz italiana Claudia Cardinale. Isso, talvez há 50 anos. Casamo-nos com pessoas diferentes e creio termos sido felizes. Mas, desculpem o jeito que os que me leem conhecem: baita mulher bonita!

Nota:

  • Nê, acho que somente o Gô sabia disso. Beijos, não são pecados. Procê!
  • Se nosso grupo for apenas para desejar bons dias e noites, acho pouco. Temos muitas histórias pra contar. O que deu do Tio Júlio, casado com a Teresa?

Inté! O vídeo abaixo com Rolando Boldrin significa tudo do que escrevo.

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