D’Artagnan D’Ourinol, Episódio 2, por Rui Daher

No primeiro episódio, contava-se o desenrolar de reunião de pauta, sob a bênção do Conselho Consultivo do “Dominó de Botequim”

D’Artagnan D’Ourinol, Episódio 2, por Rui Daher

Façam chuva e sol, estejam minhas botinas enlameadas ou pisando em terras estorricadas do semiárido brasileiro, esta série, por sugestão de minha afável editora, será publicada duas vezes por semana.

No primeiro episódio, contava-se o desenrolar de reunião de pauta, sob a bênção do Conselho Consultivo do “Dominó de Botequim”, de como o BRD (Blog do Rui Daher) abordaria o curioso personagem, recentemente, interceptado por nosso jornalismo investigativo.

Com toda a fineza a nós possível, ensinada pelo segurança Everaldo, depois de ter atendido cursos de boas maneiras e etiqueta com a indefectível Cláudia Matarazzo e o ínclito Fábio Arruda, enviamos mensagem ao mosqueteiro (será que é?) informando que, incensado pela extrema-direita, também a esquerda queria dar-lhe voz.

Recebemos o abaixo:

De: @D’ArtagnanD’Ourinol; Para: @BRDjornalismo

“Prezados jornalistas, data vênia, vez ou outra sigo suas manifestações escritas e delas discordo. Defendem o ex-presidente Lula, o que considero aberratio delicti.

Além disso, no momento, estou ocupadíssimo em lato sensu descobrir a origem do meu nome. Em PowerPoint construo uma árvore genealógica, e mutatis mutandis, chegarei lá.

Não sei no que a esquerda poderia me ajudar nisso, já que sou um idólatra do juiz de primeira instância, com méritos tornado ministro da Justiça. Mens legis, atenção STF, jus et facto logo estaremos aí! Manquem-se Lewandowski e Gilmar.

Sendo assim, excelências das escritas, subornadas por cínica comiseração pelos pobres, minha resposta é habeas corpus nem por um caralho.

Ex proprio jure, NÃO!

D’Artagnan D’Ourinol”

Conforme ouvia minha leitura da mensagem, toda a Redação se cagava de rir. O primeiro a se pronunciar foi o serial killer, Harmônica.

– O que eu disse? Cara assim nem sentirá a explosão do sangue navalhado em sua carótida.

– Tal resposta justifica o quê?

– Delicadeza, em latim. Contratação de um advogado, talvez.

– Ora, Pestana. Gastar dinheiro com um babaca desses. Não seria melhor esquecê-lo e deixar o Harmônica eliminar aquele ministro da Educação que justificou 39 quilos de cocaína comparando as drogas no avião aos pesos de Lula e Dilma?

– Talvez, talvez, gritava siderado Harmônica, navalha girando no ar.

Entra Everaldo: “Porra nenhuma, quero responder a esse procurador que ‘procura’ merda nenhuma. Ora, a origem de seu nome. Apenas ele desconhece, tão na cara está”.

Exatamente,  esse é o momento em que perfume de cumaru nordestino, flautas de pífanos, sussurros de versos de João Cabral, Elomar e Patativa do Assaré, invadem o ambiente.

Reconheço chegando Darcy, Ariano, Melô, Dr. Walther, Alfredinho e Beth Carvalho.

– Rui, aconselhamos, deixe Everaldo responder. Ele “não é recôncavo ou pode ser reconvexô”. Deixe-o agir.

– Mas, conselheiros, o jurista não precisará da força de um Everaldo, qualquer peteleco bastará.

– Te enganas, Rui, com aquela carinha de Visconde de Sabugosa, ele é um monstro pior do que seu líder. Este, um deslumbrado, ele um missionário, que se pensa enviado por Deus para a verdade.

– Tá certo, Dr. Walther. Everaldo, ao comando!

 

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