De Jânio a Jango, dos bilhetinhos reformistas às reformas impedidas, por Rui Daher

Pretendo, a exemplo do que faz Harmônica com meus inimigos, continuar esquartejando a História do Brasil

Foto Memorial da Democracia

De Jânio a Jango, dos bilhetinhos reformistas às reformas impedidas

por Rui Daher

Quando dei o título “Tempos de Jânio Quadros”, parte 1, ao post anterior no Blog do Rui Daher (BRD), a parte 2 já estava pensada. Seria dedicada a João Goulart, o gaúcho Jango, companheiro de Jânio Quadros, a imbatível chapa JAN-JAN, que ganhou as eleições presidenciais de 1960. Esta, a segunda parte: “Jânio a Jango, dos bilhetinhos reformistas às reformas institucionais”.

Pretendo, a exemplo do que faz Harmônica com meus inimigos, continuar esquartejando a História do Brasil, por algum tempo, resgatando todos que bem a descreveram, abolidos pelo ministro nada educativo, Abraham Weintraub.

Antes três parêntesis pessoais. Característica de blogueiro, mas não de colunista, que apenas CartaCapital me permite a nobre designação (apenas no site, é claro).

Curta: “Por que você sempre coloca situações pessoais passadas ou presentes em seus textos?” Porque gosto, respondo. Não questionem. O assassino serial Harmônica me apoia.

Média: “Se gosta tanto de escrever, por que não foi ser jornalista?” Tentei, não consegui, cheguei perto, mas o destino, sabem … Meu pai era amigo de um grande repórter e jornalista da época (1958/1962). Eu tinha de 13 a 17 anos.

Gatto cobriu a prisão de “Promessinha”, famoso bandido, consta que na força física, aplicando-lhe uma gravata. Gatto passaria por diversas redações e se tornaria um daqueles jornalistas mais famosos do que as notícias que cobrem.

No início dos anos 1960, ele foi destacado para cobrir guerras para os Diários Associados. Produz, então, notícias com letras maiúsculas em Angola, Argélia, Palestina, Coréia e Goa, antigo enclave português na Índia (escreveu O Dia em que Goa caiu). Ganhou assim a admiração de Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados.

Já o conhecia, por meu pai, mas foi lá, 1964, rua Sete de abril, em São Paulo, que fui lhe pedir emprego na Redação.

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“Ruizinho, adoro Fritz, seu pai, muito me ajudou, mas não posso e nem devo ajudá-lo. A coisa tá feia e mais ficará. Seu pai prefere que siga a profissão dele, médico”.

Saí triste, frustrado, caminhei até a Praça Dom José Gaspar e me enfurnei na Biblioteca Mário de Andrade. Se chorei, não lembro. Talvez.

Semanas depois, soube que Nelson Gatto havia sido nomeado, por Jango, chefe do Serviço Federal de Repressão ao Contrabando. Entendi seu conselho.

Iria e foi pro pau! Por que me levar? Foi preso em 31 de março de 1964, dia da gloriosa do Regente Insano Primeiro (RIP). Preso e torturado no navio Raul Soares, escreveu “Navio Presídio” (1966). Pertenceu à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), e absolvido voltou aos Diários, até que faleceu em 1986.

Nelson, se procurar bem encontro seus livros. Apesar de seus cuidados e carinhos, continuei na luta, sofri menos, mas estou nela até hoje.

Longa: Ihhh, não deu, então, a farei curta. Continuarei na parte 3, mas antes um recado aos jovens, acostumados a chistes e textos curtos em aplicativos e digitais. Livros, livros e mais livros! Com a minha idade, apliquei-me em lê-los, não em carregá-los. Empilhados pesaram 5 quilos e 25 centímetros de altura. Apenas 2.810 páginas. O que essa carga representará para vocês?

Mas os indico para entenderem o Brasil insano atual.

Política: “João Goulart – Uma Biografia” (de Jorge Ferreira, Civilização Brasileira, 2011);

Economia e Agricultura: 1) Walther Moreira Salles, o banqueiro, embaixador e a construção do Brasil” (de Luís Nassif, Companhia Editora Nacional, 2019); e “Ana Maria Primavesi, – -histórias de vida e agroecologia”, (de Virgínia Knabben, Expressão Popular, 2ª edição);

Cultura: 1) “Noel Rosa, uma biografia (de João Máximo e Carlos Didier, Editora UNB, 1990); 2) “Glauber Rocha, esse vulcão” (João Carlos Teixeira Gomes, Nova Fronteira, 1977); 3) quem não colecionou, todas as edições da “Antologia de ‘O Pasquim’, Desiderata, 2007 e seguintes).

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