Dezoito meses, como 18 foram no Brumário, por Rui Daher

O que, hoje em dia, semelhante, se não Jair Bolsonaro, filhos, acólitos, conselheiros fascistas, e least but not last, Sérgio Moro?

Dezoito meses, como 18 foram no Brumário, por Rui Daher

Quando entre dezembro de 1851 e fevereiro de 1852, Karl Marx (1818-1883) escreveu o 18 de Brumário, referia-se aos acontecimentos revolucionários da França, e aproveitava o fato histórico para desenvolver teses do socialismo e da luta de classes.

Concluía: “Todas as revoluções aperfeiçoavam essa máquina, em vez de destruí-la”. Entre a revolução 1848 e o golpe de Estado, em 1851, quando Luís Bonaparte se nomeou Napoleão III, e se tornou imperador de França.

No isolamento, releio o panfleto em velha edição portuguesa. A mais atual, está disponível na Editora Boitempo, 2011, 176 páginas.

Foi-me impossível não andar pouco mais de um século e meio e não encontrar o Brasil, a partir de 2016. Conforme virava as páginas escritas por Karl Marx, vinham-me à cabeça Eduardo Cunha, Jucá, a República de Curitiba, o TRF-4, escrotos políticos, juízes supremos ou não, meios de comunicação golpistas, e sim, um povo, que aperfeiçoava a máquina estatal para opressão das massas.

O que, hoje em dia, semelhante, se não Jair Bolsonaro, filhos, acólitos, conselheiros fascistas, e least but not last, Sérgio Moro?

Para o filósofo alemão, “o proletariado não deve assumir o aparato existente, mas desmanchá-lo”.

E, por acaso, não foi assim com o bolsonarismo? Ao se autoconvencer de estar elegendo um mito, atendendo os preceitos da democracia, pelo uso do sufrágio universal, o povo coonestou todas as vilanias de um Estado feito para as classes dominantes. Assumiu-o para desmanchá-lo.

Interessante, também, passar por outro alemão, Herbert Marcuse (1898-1979). Afirma que a análise de Marx antecipa o que viria nas sociedades posteriores.

E no Brasil veio, de forma retumbante. Adendo ao Acordo Secular de Elites, aggiornato, em uníssono com o atual estágio do sistema capitalista, em ciclo mais perverso de sua história.

Emprego, renda, direitos trabalhistas, aparelhos de proteção social estão sendo desalojados e pauperizados, sob olhares bovinos de trabalhadores rurais e urbanos.

A acreditar nas pesquisas do Datafolha desta semana, constatamos que, de Marx a Marcuse, os sistemas político e econômico induziram o grupo trabalhador subalterno a um Acordão, que coonestado fez a massa trabalhadora “aperfeiçoá-lo e não a destruí-lo”.

Que a parte maior da opinião popular, conforme a pesquisa telefônica, estaria ao lado de Moro contra Bolsonaro, era pedra cantada. Também, que a aprovação do Regente Insano Primeiro (RIP) declinaria, pero no mucho.

Já era incompreensível o voto massivo no RIP, depois de tantos avisos e 28 anos de inatividade e despreparo. Inacreditável, porém, é que depois das evidências de insanidade governamental, para país pleno de problemas vários e dimensões expressivas, praticamente, a pesquisa nos sugere opinião dividida, entre a inequívoca aceitação e a clara visão do desastre, consubstanciada desde que esse senhor entrou na política.

Que, mais tarde, tudo viria em velocidade ladeira abaixo de mediocridade. Avisou-se. Era impossível que desse certo, como, atualmente, é inimaginável que quase 50% dos pesquisados ainda nele e em seu governo acreditem.

Lerem “18 de Brumário de Luís Bonaparte”, de Karl Marx, sei, é pedir muito. Vocês se merecem.

Nos vídeos, o necessário, infelizmente, e o desejo duvidoso.

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