Diário de um iconoclasta (V), por Izaías Almada

O Brasil, esse ‘pequeno’ país de oito milhões e quinhentos mil metros quadrados, se esforça há mais de quinhentos anos para se tornar uma grande nação, mas não consegue.

Diário de um iconoclasta (V)

por Izaías Almada

O episódio da exoneração e fuga do ex-ministro da educação Abraham Weintraub, além de vergonhoso, debochado e criminoso em todos os seus aspectos, escancara para o mundo em definitivo o que é o governo do Jair.

Eu escrevi governo? Peço desculpas.

Trata-se em verdade de um amontoado de aloprados, sem qualquer noção do que é governar um país.

Peço também que me desculpem os eleitores do mito (sic), pois só os ingênuos, incautos e mal intencionados não sabiam dos propósitos que os donos do poder no Brasil tinham em colocar no palácio da Alvorada tão nefasta figura.

Por sua vez, a nefasta figura foi capaz de convocar ministros de envergonhar Hiroito, Sete Dedos, Meneghetti e Marcola (o leitor poderá pesquisar no Google sobre tais personalidades). Estes, apesar de tudo, tinham e têm a sua ética, contestável com certeza em muitos aspectos, mas não são ou não foram covardes e nem mentirosos em relação aos seus atos. Enfrentaram de frente a justiça e, até onde se sabe não se escondiam na casa de seus advogados ou debaixo da saia da mamãe, para dizer o menos.

De novembro de 2018 para cá, com o segundo turno da eleição presidencial definido, a passagem das horas, dos dias e das semanas, vem revelando um Brasil que até então insistiu em se esconder sob uma capa moralista e cristã das mais safadas, onde o crime praticado contra cidadãos de bem, sejam eles esquerdistas, agnósticos ou mesmo ateus, é sempre perdoado em nome da ganância, da falsa religiosidade sustentada pelos dízimos, do acúmulo de capital a qualquer preço e da propriedade privada… E seus cães de aluguel, como o ministro da justiça recém defenestrado. Aquele mesmo, o tal paladino do combate à corrupção.

O Brasil, esse ‘pequeno’ país de oito milhões e quinhentos mil metros quadrados, se esforça há mais de quinhentos anos para se tornar uma grande nação, mas não consegue.

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Sempre que tenta recebe uma paulada pelas costas ficando à mercê daqueles que já sabem como explorar a falta de reação do seu povo, contentando-se com as migalhas do grande banquete neoliberal entre os países mais ricos.

Contudo, voltemos ao ministro fujão. Nada mais natural que ele escolhesse a cidade de Miami para abrigo, juntando-se assim a boa parte da escória que deixa alguns dos países sul e centro americanos em busca do paraíso escondido na terra do Tio Sam. Na maioria gente insensível e hipócrita, cuja cultura se divide entre a Disneylândia e uma bonequinha da Barbie.

Caro leitor, neste exato momento o Brasil fede. E fede como nunca fedeu antes, mesmo nos tempos do lembrado, vez por outra, Ato Institucional nº5.

O combate à corrupção é uma balela, uma monstruosa mentira inventada pelos arautos do neoliberalismo caboclo, sempre ávidos a meter a mão no patrimônio público enquanto apontam os dedos acusadores para seus adversários. E agora na companhia de alguns foras da lei.

Será que um dia aprenderemos?

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5 comentários

  1. A maior parte dos falsos moralistas que condenam a corrupção, principalmente os de classe média, o fazem quando estão impedidos de participar do butim. Já dizia o filósofo Millôr: se a ocasião faz o ladrão, a falta de oportunidade faz a honestidade.

    • Meu filósofo favorito. Conhece o que ele escreveu sobre o sociólogo Fernando Henrique Cardoso?
      Vale a pena ler.

    • Grato pela correção, Marcelo. É tanta ansiedade em ver as coisas melhorarem que os erros e distrações aparecem.

  2. Izaias, você se lembra do sete dedos?
    Ele virou crente e dava cada testemunho na assembléia de deus do brás que convertia qualquer cristão. Inesquecíveis.
    Depois dele, o diabo loiro.
    Ah! como os crentes gostam de bandidos!
    Talvez por isso esses 33% de apoio ao jair não diminuam nem com manipulação de pesquisa.

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