Dias sabáticos, coisa nenhuma, por Rui Daher

E nesse longo período, de que não mais necessito, nunca me foram revelados quadros humanos tão inferiores, toscos, iletrados, perversos, delinquentes, como esses que tomaram o poder no Brasil.

Dias sabáticos, coisa nenhuma, por Rui Daher

A câmera, em panorâmica, percorre a penumbra da Redação vazia do BRD. De fora, único som. O segurança Everaldo varre o quintal. Hora tardia e perigosa. Poucos carros cruzam o local. Muitos os pobres e negros lá assassinados. Na manhã seguinte, mães implorarão a Deus justiça para seus guris.

Na mesma quadra, há dois bares de chacina. Coincidência, um deles se chamar “Cova do Witchel”, importação carioca para Marsilac, em São Paulo, onde veio parar nosso ‘Mestieri Sinistro’.

O travelling para no notebook em que Nestor e Pestana se revezam para produzir suas impactantes matérias. Lá permanece e se fixa por longos dois minutos, como a pedir que alguém o usasse com boas novas.

Sabemos, impossível. Everaldo abandona a varrição e se despede: “Até amanhã chefe, se amanhã houver”. “Inté, companheiro. Haverá”.

Ao tradicional zunido de boas almas se aproximando do recinto, escondo-me.

– Psiu, psiu, estamos todos aqui. Onde estás? Claro que o descobriremos. Quase duas semanas sabáticas, tratando do agrário? Pareceu-nos covardia.

A voz é de Alfredinho ‘Bip-Bip’.

– Fredo, só desânimo. Peça favor aos outros para que a conversa pare por aqui. Dóris Monteiro, entenderia.

–  Voltaremos. Você é a ponta-de-lança da nossa e Dele.

– Frases assim me dão medo de seitas evangélicas e que tais.

Abro o único note da Redação e a primeira imagem é a de um palhaço no Japão. Não era do meu entendimento que tal atividade artística, nos moldes apresentados pelo Capitão, fosse comum entre nipônicos. Se não era, o Regente Insano Primeiro lá a consagrará. Táoquei?

Bem, a que me remeteu a paspalhona imagem. Tudo assim deve nos levar às diversas conquistas culturais do planeta. Fui ao filme “O rato que ruge”, produção inglesa de 1959, dirigida por Jack Arnold, e protagonizada pelos magistrais Peter Sellers e da francesa Jean Seberg.

Assisti ao filme, pelo menos, por duas vezes, no entanto não o resumiria tão bem, como o Wikipedia. Afinal, de minha vida, passaram-se 60 anos:

“Um pequeno país em grave crise financeira declara guerra aos EUA. Seus governantes acreditam que, ao perderem a guerra, receberão ajuda para reerguer o país. O que eles não contavam é que seus soldados armados com arcos e flechas vencessem a guerra”.

E nesse longo período, de que não mais necessito, nunca me foram revelados quadros humanos tão inferiores, toscos, iletrados, perversos, delinquentes, como esses que tomaram o poder no Brasil.

Pior é cada vez mais identificá-los com um terço da população brasileira, se não mais, da mesma forma tosca e fácil de ser enganada.

Não, meu caros, brilhante e corajoso jornalista Luís Nassif, e nossos lúcidos articulistas, não há qualquer possibilidade de acordo com a ignorância da família Bolsonaro e seguidores, o apoio evangélico, e muito menos com a Globo, paciente para esperar, fazendo-se de neutra, manter a hegemonia, e demais teratologias brasileiras paralelas.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-nao-ir-para-as-ruas-por-ricardo-kotscho/

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