Dilemas de Redação, por Rui Daher

por Rui Daher

No momento, discutimos a conveniência de fechar o BRD, Blog Rui Daher, neste GGN. Assustou-nos o entrevero do último episódio quando o coronel da PM, Jadir, usando de seu cacete amassou o siri do Nestor, que somente hoje teve alta nas Clínicas.

Tudo indica que os proprietários do golpe têm boa memória das técnicas da ditadura e não irão abrandá-las, como pensa ter acontecido o erudito dono da Folha, Otávio Frias Filho. Sem dúvida, na época, a pimenta não ardeu em seus olhos. Em outro lugar, não sei.

Mais do que a luta contra a ditadura, porém, nos desaminam as pouca repercussão e baixa audiência de nossas matérias de escracho e galhofa, oportunas pelo ridículo que os golpistas confirmam a cada dia.

Nossa encruzilhada está entre sermos uns bocós metidos a engraçadinhos, a perda de humor dos brasileiros, ou a qualidade intelectual dos leitores do GGN e de quem aqui escreve, todos bem informados, pesquisadores densos, quase sólidos, e que não se desmancham no ar mesmo quando excedem o consumo de líquidos com teor alcoólico maior de 40%. Leram muito, fazem análises consistentes, têm bom gosto artístico. Por que perder tempo com pretensiosos bufões?

Uma única crítica: brilhantes, se excedem nas análises sobre essa porra de golpe, ficam repetitivos, pois a mim tudo parece tão explícito que nada mais há a elucubrar. Uma Brigitte Bardot em Búzios.

De qualquer forma, num jornal de todos os Brasis, impossível um blog Groucho Marxista ter preferência de leitura sobre covers de Antonio Gramsci.

Logo que o golpe se prenunciou irreversível, o projeto do BRD, um conluio de resistência meu, de Pestana e Nestor foi simples, na levada do viés tragédia e farsa. O golpe civil-militar de 1964 e o parlamentar de 2016, se repetem; a Marcha da Família com Deus pela Liberdade e a meninada digitalizada e incauta nas ruas, em junho de 2013, também. Por que não repetir a farsa de um, infinitamente menor, novo “O Pasquim”?

Perguntados, os remanescentes vivos nos encorajaram, desde que prometêssemos não nos deixar apodrecer, como fizeram os Cassetas depois que o Bussunda se foi. Sobrou um Madureira menor que o Canto do Rio, e os demais viraram atores medíocres da TV Globo.

Durante a semana recebemos várias ameaças de empastelarem o blog. Com seu tino comercial apurado, Pestana lembrou:

– Deixa. Certamente, ganharíamos mais do que escrevendo aqui para não sermos lidos.

– Como assim? E quem botaria as mãos na massa? Já sei, deixariam todo o trabalho pesado este alquebrado Nestor.

– Eu posso cuidar do recheio e o Pestana das vendas.

– Já que vão empastelar, precisamos remeter à política. Sugiro chamarmos a casa de empastelaria.

– Gosto. Boa jogada de marketing. Além do que, para pastelaria, falta-nos um chinês.

– Para lembrar a usurpação que sofremos e rivalizar com as coxinhas, que tal “Empastelaria BRD”?

– Entendi. “Empastelaria Blog Rui Daher”.

– Nada. Mais saborosa: “Empastelaria Bela, Recatada e Do Lar”.

– Saquinhos e guardanapos totalmente brancos, certo?

– Claro. “O pastel que pacificará o País”. 

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