Dominó de Botequim, 14 – “Deus e o diabo na terra do Call”, por Rui Daher

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Por Rui Daher

(com todo o respeito aos personagens)

– Evitávamos pedir que você nos desse a notícia sobre o Brasil da última semana, até porque burros nunca fomos e já esperávamos do país separatista gaúcho aquele resultado.

– A porra da mão esquerda fraturada. São tantas as galhofas que teria para contrapor às vilanias porcas.

– O Melodia tomou umas com o Tarso e trouxe uma boa. Sabe o que significa TRF-4?

– Manda.

– Turma Recolhedora de Fodas à 4 dedos.

– Eles estavam sozinhos?

– Não, o Henfil desenhou a cena num guardanapo. É genial. Se acabar a briga entre espíritas e evangélicos, e o Correio Celestial reabrir, te mando.

– Darcy, e aí encima qual a repercussão?

– Carai, véio, não pode imaginar. Mais forte que aquelas cachaças de 54 graus que você descobre.

– Não existe!

– Então, ouve. O testemunho é de Ariano, Walther Salles pai, e mais 18 sábios que aqui moram e convidados à assembleia.

– Darcy, você não falou nada sobre assembleia.

– Entrava-se ou não em contato com a Estação Inferno. Foi Ele quem primeiro ligou. Reproduzo o briefing confidencial que Ariano me trouxe, não sei a fonte.

“Fala”.

“Cão …”

“Pode parar. Não quero que me chamem assim. Na Terra é considerado bom, amigo. Me denigre.

“Capeta”?

“Também não. Diz-se da melhor molecada. Quero que permaneçam assim estigmatizados. Use meu nome de batismo”.

“Certo, Diabo. Precisamos conversar”.

“Já sei, é o Brasil, né? Minha maior fonte de lucros e taxa de ocupação. Quer transferência? Topo, nem eu os aguento. Penso construir um resort ainda mais infernal, desculpe o termo, para não ver mais suas caras. O chefe da Estação Purgatório, não para de me ligar querendo me empurrar alguns que estão lá. Sei que aí sobram vagas, liga para ele”.

“Diabo, você sabe que para vir para qualquer de nossas estações superiores é preciso morrer. Pior, mais morrem os bons que vêm a ter comigo. Já a canalhada se trata bem, se cuida, férias, hospitais e médicos, bons luxos e, me desculpo, prazeres e dinheiro”.

“É o que me contam quando aqui chegam. Lembro-me de um certo Marinho que me ofereceu fortunas, cadeias de TV, jornais, para voltar. Como temos a possibilidade de saber o futuro, acalmei-o dizendo que seus filhos fariam melhor”.

“Fazem”.

“E o que precisas de mim”?

“Como disse, preciso que eles subam, mas penso que não devemos ir contra o primeiro artigo da Convenção das Três Estações: Eu, misericordioso; Você, só maldades; o Purga meia calabresa, meia mussarela”.

“Entendi, ‘os marcados para morrer’ quer deixar para mim e eu junto mais tranqueira para assar aqui. Não tenho mais fornos nem grana para investir em fogo novo”.

“Entendeu nada. Você traz, tira de lá, ganha fama, mais de 90% querem que se vão, mas resistem, só que o povo pensa ‘por que o Diabo não os carrega’?

“Eles querem, mas não têm coragem para fazê-lo”.

“Isso! Você traz. Sei que está mal de finanças. Negocia algum para os transferir pra Mim ou para o Purga, vai depender do valor”.

“A ideia é boa, mas dois senões: 1) depois de tudo o que fizeram, merecem a moleza que terão aí? 2) não sei como escolher nem a ordem de chamada”.

“Moleza? Na Terra tenho que manter a fama, aqui ninguém sabe do que sou capaz. Posso ser pior do que você. Também o Purga fará o mesmo. Topa?”

“Manda a primeira lista”.  

 

 

   

 

 

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