Entrevistas Clube dos Garotos 11 – Marcelo Crivella, por Rui Daher

Entrevistas Clube dos Garotos 11 – Marcelo Crivella

por Rui Daher

Os textos de ‘fricção’, confeccionados em organdi pelos jornalistas Rui Daher, Nestor Gruppo e Regularte Pestana, são patrocinados pelos Cigarros Vanda, “traga que a saúde desanda”, com apoio da organização feminista MBRL, Mulheres Belas, Recatadas, Livres e do Lar, presidida pela figurinista da segunda dama, que prometeu fazer-nos voltar aos tempos de crianças felizes.

Rio de Janeiro, 23/10/2016                                                                              

Regularte Pestana, enviado especial do BRD

Minha alma canta/Vejo a Linha Amarela/Coração se espanta/Entrevista com Crivella/Rio sem mar/Dutra sem fim/Outro Rio foi feito pra mim”.

Assim cantarolava, brincando com o Samba do Avião, de Tom Jobim. Foram mais de seis horas de viagem e três lenços empapados de suor. Calor e ódio, um filme bangue-bangue, cujo roteiro pensei sugerir ao amigo Márcio Alemão.

Lembro as palavras do chefe antes de partir e a raiva aumenta: “Pestana, por favor, não vá faltar com respeito ao bispo”. Estivesse na frente dele, perguntaria: “O mesmo respeito que você teve comigo? Para economizar uma garoupa, me pôs nesta draga de ônibus de ar-condicionado quebrado”.

Durante a viagem, aproveitei para me informar sobre feitos e desfeitos do candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Tínhamos preparado uma pauta neutra, bondosa, mas queria enriquecê-la. Também dei uma passada de olhos num papelzinho que, sorrateiramente, o Nestor havia colocado em meu bolso. Dela, o Rui vetara todas as perguntas. A mais leve: “Depois que o senhor canta gospel cospe pastel”?

A entrevista, agendada para o seu comitê próximo ao Copacabana Palace me fez sonhar com um convite para almoço no pergolado da piscina, me jogava dentro de um ônibus na Ilha do Fundão até a Zona Sul. O orgulho ferido me fez chamar um táxi que pagaria de meu próprio bolso. Mesmo a serviço de um “blog sujo”, alguma dignidade precisava manter.

Chego no comitê “Por um Rio mais Humano”, perto da hora do almoço. Ah, aquela pérgola, as turistas douradas, um malte escocês para o aquecimento. Fosse assim, seguiria a pauta oficial babacona do BRD; caso contrário, iria de Nestor.

Na sala de espera, estranhei não ver uma que fosse publicação da Igreja Universal do Reino de Deus. Dezenas de edições de Veja, Época, Isto É, Caras. Um só jornal, “O Globo”. Mais grave: um plasma 52 polegadas ligado na TV Globo. Não são rivais?

Uma recepcionista, vestida com a camiseta do Fluminense, me oferece água e café. Aceito, mas não resisto perguntar:

– Hoje tem jogo do Flu?

– Não, sou Mengão. É que abrimos este comitê para nos aproximarmos dos eleitores da Zona Sul.

– Entendi.

Da sala ao lado, ouço muitas vozes, introduções de músicas, logo cortadas por instruções de “Não! O tom não é este. Vamos do início”. Isto, repetidas vezes. Lá se vão duas horas desde que espero na recepção. Vez ou outra, a flamenguista volta e me pergunta se quero mais café. Naquela altura o almoço no pergolado já era.

– Aceito, obrigado, ainda não almocei. Você não teria aí umas bolachinhas?

– Infelizmente, não. Vou trazer o café.

Até ela voltar, passaram-se mais duas horas.

– A quem devo mesmo anunciar?

– Jornalista Regularte Pestana, do BRD, Jornal GGN. Vim de São Paulo para uma entrevista.

– Nome estranho. Um momento.

Ao contrário de Nestor, sou mais paciente. Missões de repórteres, vendedores e pretendentes de verbas públicas carecem de saber tomar chá de cadeira. Ela volta:

– Senhor Pestana. O candidato, senador do PRB, cantor, escritor, engenheiro, bispo religioso licenciado, ex-ministro da Pesca, Marcelo Crivella, pede mil desculpas, mas disse que está muito ocupado e não poderá atende-lo hoje. Solicita deixar as perguntas por escrito, não mais do que cinco, que ele responderá por e-mail.

– Não mais do que cinco?

– Isto!

– Posso escrevê-las aqui mesmo? Você me traria mais um cafezinho?

– Claro, fique à vontade senhor Rodarte.

Tiro do bolso as sugestões de perguntas formuladas pelo Nestor:

1.     Quanto a Veja lhe pediu para não publicar a capa e a matéria da edição desta semana? Edir Macedo não aceitou pagar?

2.     Como se faz para se licenciar de uma religião? Associando-se ao Cão?

3.     A sua coligação incorpora 15 partidos. Como é possível tornar o Rio mais humano e popular? Suruba funk?

4.     Homossexuais, mulheres que optam pelo aborto, pecam e não são humanos? Seriam iguanas pré-históricas? No seu tabuleiro de xadrez só bispos são permitidos?

5.     O Projeto Cimento Social, de 2008, visava poupar os pobres da incineração?

Embora tenha sido limitado a cinco perguntas, permita-me uma observação:

– Que rabo episcopal o dessa sua recepcionista flamenguista! A Gávea agradece.

                                          

 

 

 

  
 

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5 comentários

    • Obrigado Idiro,

      pela informação, mas seja em relação à África ou qualquer outro lugar expressões dessa natureza deixam nítida impressão de preconceito, mentira e favorecem a quem, realmente, preconceituoso e higienista. Abraço.

      • Ainda não é esta a verdade
        No vídeo ele também NÃO expressa esta opinião como sua. Conta que veio de OUTRA pessoa.
        Pode-se polemizar a respeito do sentido das palavras, mas é preciso dizer com precisão a forma como foram ditas.
        Deixo claro que considero Crivella um GOLPISTA. Quanto a outras acusações aguardo comprovações inequívocas.

  1. Que isso Rui Daher ?
    Caiu um pouco no meu conceito. Em primeiro lugar porque a paródia, além de mal feita na métrica, parece coisa de paulista com inveja do Rio. Em segundo lugar porque a frase do Crivella, está retirada de um contexto. Em terceiro lugar porque, mesmo que o GOLPISTA Crivella lamentavelmente ganhe aqui no Rio, ainda assim estaremos muito melhores do que o Tucanistão que elegeu Alckmin e Doria em primeiro turno.

    • Antônio,

      para recuperar o meu conceito, prometo melhorar a métrica das paródias do Pestana, afinal ele sofria num ônibus desconfortável. Inveja do Rio, como paulista, sempre tive. É a cidade mais linda do mundo e se tem algo que me aarrependo nesses anos de fim é nunca ter me esforçado mais para morar no Rio.

      Quanto à foto com o dito por não dito do Crivella, repito, vale de alerta a tantos que, tenho certeza, pensam assim. O mesmo que ele já comprovou em suas atuações bispais conservadoras e disfarça em suas intervenções políticas.

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