Esse mundo é dos loucos, por Izaías Almada

1% da humanidade continua rindo a bandeiras despregadas. Os outros 99% disputam a cotoveladas os bolsões de progresso e condições mínimas de sobrevivência e o que resta de sadio humanismo.

Esse mundo é dos loucos

por Izaías Almada

Alguma dúvida? Basta o caro leitor olhar à sua volta e também olhar-se no espelho. Não há exceções e nem privilégios para ninguém. Fake news é o nome do jogo, Guerra híbrida o outro… Não somos todos iguais perante a lei? Estava eu nessas conjecturas matinais quando resolvi abrir meu arquivo de textos mais antigos.

Ao reler um artigo escrito há quase dez anos encontrei, logo no primeiro parágrafo, o seguinte trecho: A estrutura administrativa do estado moderno, as grandes corporações e o volumoso capital sem controle advindo do narcotráfico, do contrabando de armas e que tais, tornam o mundo um circo, onde a plateia observa atenta e embevecida o picadeiro, acompanhando o movimento de palhaços e equilibristas da ética.

Se acrescentarmos ao elenco de motivos acima apontados que, irônica e perigosamente, se juntam a outros fatores que definem a geopolítica atual como por exemplo, a sofisticação das descobertas e invenções da cibernética a determinar mudanças de comportamento do homem contemporâneo, não será exagero afirmar que estamos às portas do manicômio, indecisos se nele entramos ou não.

Exagero? Pessimismo? Descrença na capacidade que temos de superar as situações mais adversas como já se viu na história da humanidade? Exemplos não faltarão, é claro, desde as civilizações pré-cristãs.

Ao se tentar criar os Estados Unidos da Europa, pois na verdade era essa a intenção primeira dos países europeus economicamente mais bem situados que inventaram a CEE, atraindo para um centro de decisões políticas e econômicas países como a Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e posteriormente antigos países da Europa comunista, o capitalismo internacional descuidou de manter as rédeas curtas para os banqueiros e os especuladores financeiros. 

Estado mínimo e todo poder ao mercado foram e ainda são as palavras de ordem. Para muitos o resultado já era esperado.

Nesse cenário, insisto, fica cada vez mais difícil para o conglomerado midiático internacional caracterizar as várias manifestações anticrise pelo mundo como sendo insufladas pela esquerda. Assim, o jeito é tentar adjetivar os manifestantes como esquerdistas, bandidos, terroristas, selvagens, vagabundos e outras bobagens do gênero. Parece que muitos de nós já não acreditamos nessas parvoíces.

Já não é segredo para ninguém, e os exemplos têm aumentado com o passar dos anos, que há no mundo contemporâneo – onde o capital especulativo financeiro tomou as rédeas da economia – já não é segredo, repito, a simbiose entre políticos e empresários corruptos, entre a administração pública também corrupta e o crime organizado.  

O capitalismo precisa dessas parcerias para a sua sobrevivência. Um sistema econômico que degrada e explora o trabalho de homens e mulheres, além de destruir a natureza, não poderá esticar indefinidamente a sua sobrevida se não usar de todos os recursos legais e ilegais para legitimar-se… E prolongar-se.

Entre incrédulos, alienados e os indefectíveis defensores do capitalismo selvagem, por mais incrédulos, alienados e indefectíveis que sejam, cresce também alguma dúvida e a incerteza.

1% da humanidade continua rindo a bandeiras despregadas. Os outros 99% disputam a cotoveladas os bolsões de progresso e condições mínimas de sobrevivência e o que resta de sadio humanismo. E nessa guerra vale tudo: da traição ao uso da chantagem nuclear; da malandragem ao autoritarismo; da bravata à impunidade; da imposição de uma falsa democracia ao fascismo dissimulado; das lutas sociais sem rumo à manipulação das consciências; da mentira e da desinformação à arrogância academicista; do crime organizado à justiça desorganizada; da mercantilização da fé ao genocídio de hereges.

No Coliseu nada cristão da modernidade, onde a massa ignara vê alguns poucos Césares botar fogo em Roma, quer dizer no mundo, gritam ao som de cornetas e rufar de tambores:

Ave Cesar, os que vão morrer te saúdam!

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