Está faltando um menestrel, por Izaías Almada

Entre muitos dos que surgiram no Brasil, há um que marcou a minha juventude: Juca Chaves. Sarcástico, por vezes sibilino, espontâneo, Juca sabia ser duro sem perder a ternura.

Está faltando um menestrel

por Izaías Almada

A ganância, o medo, a arrogância e a indiferença que se abateram sobre o Brasil, sobretudo após o surgimento de um misterioso vírus que se tem mostrado refratário aos esforços das pesquisas da medicina, e outro que se alojou nas urnas em 2018, clamam pelo surgimento de um menestrel que com seus versos e cantos românticos, muitas vezes sarcásticos, nos façam lembrar de que ainda temos algum sentimento de amor, compreensão e fraternidade. E humor… Por que não?

Entre muitos dos que surgiram no Brasil, há um que marcou a minha juventude: Juca Chaves. Sarcástico, por vezes sibilino, espontâneo, Juca sabia ser duro sem perder a ternura.

E a qualidade do humor só aumenta quando o potencial de inteligência de uma nação também aumenta. Infelizmente, não é o caso do Brasil de 2020.

No auge da Bossa Nova, música que conquistou o mundo a partir do final dos anos cinquenta, Juca Chaves começava assim uma de suas modinhas:

Bossa Nova mesmo é ser presidente
Desta terra descoberta por Cabral
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original…
Depois desfrutar da maravilha
De ser o presidente do Brasil
Voar da velhacap pra Brasília
Ver a alvorada e voar de volta ao Rio.

Essa foi feita em homenagem ao presidente Juscelino Kubitscheck, quase sempre sorridente nas fotos em que aparecia. Outras fez para o presidente/ditador Figueiredo ou para o candidato nunca eleito para presidente, Ademar de Barros.

Teve que deixar o Brasil por uns tempos, indo viver no Portugal ainda salazarista, também “convidado” a se retirar do país. Suas memórias a respeito são hilariantes.

Leia também:  Dieguito, por Rui Daher

Antes dele, a dupla de música sertaneja, Alvarenga & Ranchinho, também infernizou a vida de Getúlio Vargas e muitos políticos do Estado Novo.

Também Ary Toledo teve seus bons momentos de menestrel, onde sem nenhuma sutileza mostrava a luta de classes de maneira escrachada e com muito humor.

Nos dias que correm a música popular não tem se aproveitado para fazer, como os artistas citados acima, uma crítica bem humorada dos incontáveis desatinos de uma gente que chegou ao poder pelas mentiras que inventa e pelos desatinos que pratica no dia a dia.

Uma pena, pois o que não falta é material para isso.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

2 comentários

  1. Gigante. Soberano. A modinha não foi homenagem a JK. Foi mais uma incomparável crítica e alfinetada, mostrando mais um Político sem qualidades assim como sua Obras. Dava uma sobrevoada em Brasilia e governava do Leblon. A mesma coisa feita por outro factóide da República de Juiz de Fora, Aécio Neves. Mas falemos do Menestrel. Magistral.

  2. Assisti ao vivo: Hebe dando maior bronca nele por causa de entrevista onde a chamava de burra.Ele falou que jamais havia dito algo semelhante à revista e que já tinha aberto processo contra a revista. Quando a Hebe já respirava aliviada, ele não perdeu a piada: “Não disse pra revista”.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome