Fabricando Assassinos, por Izaías Almada

Organizar a convivência social em níveis minimamente civilizados implica em criar instituições e organismos para combater o crime e as injustiças

Fabricando Assassinos

por Izaías Almada

Dois acontecimentos recentes no dia a dia do país levaram-me a escrever essa crônica: a patética fala do presidente Jair a embaixadores de vários países no Palácio do Planalto e a mais recente chacina no Complexo do Alemão no Rio de janeiro.

Talvez alguns leitores perguntem: o que tem uma coisa a ver com a outra?

Começo a minha resposta por sugerir a todos que tiverem curiosidade sobre o tema que assistam no canal Netflix a uma série documental que leva o título de “Fabricando um Assassino” (Making a Murderer).

Uma série longa e que demanda atenção e paciência não só para perceber como funcionam as ações policiais e a estrutura do poder judiciário nos Estados Unidos, mas – sobretudo – para ver com mais clareza para que servem a imprensa corporativa, as forças policiais e os poderes Legislativos, Judiciários e Executivos de alguns países ainda considerados exemplos de organização  democrática.

“Todos são iguais perante a lei”: nada mais falso.

Jornal GGN produzirá documentário sobre esquemas da ultradireita mundial e ameaça eleitoral. Saiba aqui como apoiar

O que se passa no mundo neste momento, onde a anarquia parece ir tomando conta de mentes e corações, deixa muito a desejar quanto à própria sobrevivência da democracia… E da própria espécie humana.

“Si vis pacem parabellum”, diz o surrado provérbio latino que volta ao centro da ribalta com grande sucesso…

O avanço da ciência e de suas descobertas sobre tudo aquilo que envolve o homem e a natureza, está a criar sérios problemas para dogmas religiosos, para ideologias que se opõem, para o conceito de certo e errado, para a dicotomia entre o bem e o mal.

Organizar a convivência social em níveis minimamente civilizados implica em criar instituições e organismos para combater o crime, as injustiças contra os direitos humanos, as violências que impulsionam e ultrapassam os preconceitos de qualquer natureza…

E por mais cuidados e medidas que sejam tomados, o que se vê na história da humanidade é o aumento da barbárie e a dissimulação e covardia no combate a essa mesma barbárie.

Regime econômico já comprovadamente desumano e beligerante pelas necessidades objetivas e subjetivas que cria, o capitalismo, na sua fase neoliberal estimula e alarga cotidianamente o fosso para aqueles que consideram a falsa cultura, a beleza física, o sucesso popular, a conta bancária de vários dígitos, a luta pelo poder a qualquer preço, (entre os vários, abjetos e falsos valores para a felicidade do homem na terra), em um verdadeiro festival de horrores.

Afinal, amigo leitor: quem “vale mais”? – para usar uma expressão por si só já de extremo preconceito – um indígena canadense, um cidadão africano de raça negra ou um membro da família real britânica?

Com a palavra a indústria armamentista, os banqueiros, os grandes grupos de mídia e informação, os vendilhões dos templos e o lado sombrio do Vale do Silício…

Que a História não se repita como tragédia!

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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