“Fecho encerro reverbero aqui me fino aqui me zero”, por Rui Daher

“Fecho encerro reverbero aqui me fino aqui me zero”

por Rui Daher

Termino 2017, citando os fatos mais gratificantes que obtive. O Brasil não teve nenhum. Beijo casto em todos que me leram e comentaram no BRD, entenderam as galhofas sérias de N&P, no FB, e pessoas do Brasil e de fora que me leem e pedem orientação. Desfocado que sou, é a hora em que encontro meu foco. Também, àqueles que compraram o livro “Dominó de Botequim”, ou foram presenteados e leram.

No assunto, em janeiro de 2018, me dedicarei a Arthur, que estará no Brasil para curso na FGV. Economista pela UFMG e UFSC, hoje locado em Brighton, na Sussex University, UK, em doutorado orientado, primeiro, por Mariana Mazzucato, e agora por outra professora, já que Mariana foi para a UCLA.

Arthur é meu leitor em CartaCapital. Procurou-me por saber que, entre nossos colunistas, fui o primeiro a trazer o nome da professora ítalo-americana, em livro importado, logo que ela publicou: “The Entrepreneurial State”, hoje já traduzido para português, como o “Estado Empreendedor”, e subtítulos que destroem o mito de que vivemos apenas da iniciativa privada. Quem me levou a importar o livro foi resenha da amiga (oi!) jornalista Eleonora de Lucena, ex-Folha.

Prometo entrevistar Arthur e trazer a reprodução a vocês.

Para terminar o ano, com louvor e sem galhofa, como parecem preferir, saio do Brasil e lembro de um planeta pouco comentado, a hegemonia ocidental diante do avanço chinês – ou também nisso não estou sendo muito original à intelectualidade do GGN?

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Não tem jeito. Passei anos, escrevendo, seja lá aonde, que a queda do crescimento chinês de dois para um dígito, era algo planejado pelo Partido Comunista Chinês (PCC), e que só fortaleceria o Império do Meio.

Está acontecendo em ações e números. Não trago isso de nossos analistas, mas do Guardian, NYT, Nouvel Observateur. A caminhada da China não precisa mais do que dez anos, se tanto, para ser a primeira economia do planeta com um povo em inserção social.

Não importam os números da OCDE, FMI, o siri e o cacete, a economia ocidental mergulhou num mar de incertezas. A China adotou o capitalismo que o Ocidente trocou pelos ganhos financistas na economia. Quem se ferrará num mundo em crescimento populacional? E vocês ainda lamuriam o Brasil contar só com bens primários. Isto, se muda, leva-os a obtê-los através de guerras. Querem ver seus barracos, chão-de-estrelas, invadidos?

Com certeza, Celso Amorim e Samuel Guimarães sabem dessa importância para o Brasil. Não esperem o mesmo do “guerrilheiro” (?) Aloysio Nunes.

Embora Donald Trump converse e se aconselhe muito com Mrs. Samantha Smith, moradora de Omaha, Nebraska, EUA, produtora de ótimas geleias, que sempre que o governo norte-americano escolhe garotos para morrerem no Oriente deixa os meninos mais confortáveis, olhando, saudosos, as fotos das namoradas que deixaram em Ohio, Califórnia, wherever.

Chamar a China, como o fez, o topete tsunami dourado, de competidor antiético, nada adiantará. Se não pode com o gordinho da Coreia do Norte, encarará Xi-Jiping, que não fala em armas, mas se arma economicamente?

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Juntam-se EUA, EU e Japão contra a China. Ela caga, com seu crescimento o dobro da coalização ocidental.

Querido e dourado Donald, você já era. Nunca mais será reeleito ou eleito. Divirta-se no tempo que ainda tem. A sua ideia de mundo não mais é possível e nem seus compatriotas a quererão. Deixe o mundo assim. Chegou a vez da China e de muitos meninos de Wall Street tomarem aulas de mandarim. Fodeu, pois. Divirta-se com o poder de hoje e depois volte aos cassinos de Las Vegas e seus empreendimentos fiscalmente duvidosos.

Preciso dizer quem liderou os investimentos no Brasil, América do Sul e África, em 2017? Creio que não.

De minha parte,

“Fecho encerro reverbero aqui me fino aqui me zero não canto não conto não quero anoiteço desprimavero me libro enfim neste livro neste vôo me revôo mosca e aranha mina e minério corda acorde psaltério musa não mais não mais que destempero joguei limpo joguei a sério nesta sêde me desaltero me descomeço me encerro no fim do mundo o livro fina o fundo o fim o livro a sina não fica traço nem sequela jogo de dama ou de amarela cabracega jogo da velha o livro acaba o mundo fina o amor despluma e tremulina a mão se move a mesa vira”. (Cid e Haroldo de Campos)

  

4 comentários

  1. Feliz Ano Novo, Rui!
    O meu,
    Feliz Ano Novo, Rui!

    O meu, autografado, está agora com meu pai.

    No mês passado, numa daquelas arrumações pesadas em busca de espaço, descobrimos aqui em casa várias brochuras – um calhamaço de responsa – de peças publicadas no Montbläat do Fritz Utzeri. Meu pai imprimia para ler e guardou muita coisa.

    Temos buscado destino para elas; talvez doar a uma biblioteca pública…

    Este mundo é nano mesmo!

    Que 2018 te sorria e aos teus!

    Até!!

    • Anna,

      saudades e Feliz 2018. Quanto às impressões do Montbläat, sou amigo da mulher do Fritz, também no facebook. Se quiser pode oferece-las a ela e lhe passo o contato.

      Muitos beijos.

  2. fecho….

    Caro sr. Rui, sobre o Arthur. Realmente o conhecimento não pode se encerrar em quem o adquiriu. É uma riqueza a ser compartilhada. Sobre a China Comunista se tornar a Maior Potência Capitalista. Que lição !!! Uma Nação pode ser o que ela quiser e projetar. Depende exclusivamente de si mesmo e do seu Povo. A China projetou esta realidade nos anos 70, em plena Guerra Fria. Não se imaginou ou se prendeu nas suas limitações. Pensemos, então, o que pode fazer o País que possui tudo? Novamente Feliz 2018. O Ano em qiue Verdades e Hipocrisias Absolutas ruirão. (P.S. Mas que o SPFC. A Luz Maior que guia o Futebol Mundial continuará SOBERANO. É o Nosso destino). abs.

    • Zé Sérgio,

      obrigado por vir ao blog, independente de o texto ter “subido” ou não. Acredito que o ano que vem nos trará momentos de importantes compreesões de nossas mazelas. As discutiremos, como sempre soberanamente. Feliz 2018.

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