Finalmente, um estadista para o Brasil, por Rui Daher

Doria

Por Rui Daher

Logo depois do início de minha carreira, desperdiçada como administrador de empresas, serviu-me a lição a de uma raposa argentina, ex-vice-presidente do grupo Bunge-Born, meu chefe e professor, já falecido:

– Rui, continue estudando as ciências humanas e saiba distinguir entre os empresários inteligentes e os espertos. Há entre eles uma grande diferença. Cada um merece dos bons executivos tratamentos diferenciados. Foi assim que tive sucesso. Até a página 98.

Foi o que constatei nesses 50 anos, desde que minha primeira carteira de trabalho foi assinada. Penso que soube usar o ensinamento até o limite permitido por momentos em que prevaleceu o ser subalterno.

Conto o causo que aconteceu em meio século por ver o Brasil estar sendo dominado pelos espertos ante os inteligentes. Não só empresários, mas juízes, políticos, jornalistas, e também entre a gente miúda.

Mas o que me traz ao assunto é Doriana Júnior, João Dória, o atual prefeito de São Paulo. Em três meses de gestão, o êmulo de Amaury Júnior (muito mais interessante e engraçado) já está sendo levado a sério, por gente séria, como candidato a presidente do Brasil.

O mais repetido é que Doriana, foi o que sobrou para a direita. Por quê? Seria melhor preparado do que os demais cronistas de elite do País? Em todos os estados da República deverá haver um similar. Ou não? Basta ser paulista pra a meritocracia eterna?

Ô povo do Sul, o mais politizado, ninguém aí com as mesmas credenciais? E ruralistas do Centro-Oeste ninguém? Ronaldo Caiado não serve, falta esperteza e inteligência. Mineiros, apresentem-se: o ET de Varginha é uma. Nordestinos, na falta de Ariano, eu votaria em Antônio Nóbrega, Lenine, Alceu Valença ou Elomar.

Mas, não. Leio Nassif e outros bons; ouço ricos empresários; vejo os lábios de piscicultura de Doriana pronunciando medidas duras contra grafiteiros e brandas com os empresários dos festins de Comandatuba. Ele é a esperança da direita, o que me deixa feliz. Finalmente, um estadista.

Dizem: foram-se Geraldo Chuchu, Aécio Pós-Neves, Serra, Marina tísica. César Maia e ACM estão vivos? Sei lá. Ninguém fala mais deles. Mais tarde, posso pesquisar. Agora não. Ouço Nana Caymmi e Beth Carvalho.

Vamos que o Moro ponha Lula na cadeia. Que Ciro volte para Harvard. Sobrarem Doriana e Bolsonaro, voto no segundo. A finitude merece galhofa total.

Nota: Lourdes, querida, não prometi que lhe garantiria a galhofa?

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