Frases & Versos (II), por Izaías Almada

Passou rápido o tempo histórico, o tempo de Sócrates, Platão e Aristóteles até o tempo dos fungos, vírus e vermes...

Frases & Versos (II)

por Izaías Almada

Tic, tac, tic, tac,,, O tempo escorre lentamente por entre os dedos da mão. Na mesa de Cronos a areia fininha desce pela ampulheta à espera de ser virada uma vez mais para, em silêncio, seguir no seu infinito passar das horas.

Passar de horas esse que no Brasil se torna aflitivo, já que o país tem a dirigi-lo uma horda de energúmenos incompetentes e virulentos.

O já famoso vídeo de uma reunião do governo feita em abril escancara para o mundo o nível do governo e dos homens que iriam salvar o Brasil da corrupção. O futuro do pretérito é proposital.

Passou rápido o tempo histórico, o tempo de Sócrates, Platão e Aristóteles até o tempo dos fungos, vírus e vermes…

Esqueçamos, portanto, durante o tempo que for necessário a ignorância e a selvageria do atual executivo, a covardia do legislativo e do judiciário e procuremos um mínimo de conforto espiritual em mais um conjunto de frases e versos:

01 – Luís de Camões:

“Vereis amor da pátria não movido

De premio vil, mas alto e quase eterno,

Que não é premio vil ser conhecido

Por um pregão do ninho meu paterno

Ouvi: vereis o nome engrandecido

D’aqueles de quem sois superno

E julgareis qual é mais excelente,

Se ser do mundo rei, se de tal gente”.

02 – Geoffrey Chaucer: “Reflitam bem, senhores, como sempre há conflito entre os homens e o ouro, não importa a condição social. É um conflito tão violento que dificilmente pode ser evitado. Essa mania de ‘multiplicar’ cegou a tantos que, sinceramente, eu acho que acabou se tornando a principal causa da miséria que existe por aí”.

03 – Gabriel García Marquez: “A lancha apitou, estridente, deu a volta no meio do rio e a multidão concentrada no cais e as mulheres nas varandas viram pela última vez Rosário de Montero ao lado de sua mãe, sentada no mesmo baú de folha de flandres com que desembarcara no povoado sete anos atrás. Barbeando-se na janela do consultório, o doutor Octávio Giraldo teve a impressão de que de certo modo aquela era uma viagem de volta à realidade”.

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04 – Wilhelm Reich: “Aqueles que negam ou não apreciam devidamente a função da base de massas do fascismo surpreendem-se perante o fato de que a classe média, não possuindo os principais meios de produção nem trabalhando neles, não pode ser uma força motriz permanente na história e, por isso, oscila invariavelmente entre o capital e os trabalhadores”.

05 – Lygia Fagundes Telles: “Quando na realidade o amor é uma coisa tão simples… Veja-o como uma flor que nasce e morre em seguida por que tem que morrer. Nada de querer guardar a flor dentro de um livro, não existe nada mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou”.

06 – Charles Baudelaire:

“A tolice, o pecado, o logro, o que amesquinha,

Habitam-nos o espírito e o corpo viciam.

E adoráveis remorsos sempre nos saciam,

Como ceva o mendigo ao verme que ele aninha.

 

Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça;

Impomos alto preço à infâmia confessada,

E alegres retornamos à lodosa estrada,

Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça”.

07 – Woody Allen: “Introdução à Psicologia: A teoria do comportamento humano. Porque há homens designados por ‘indivíduos agradáveis’ e outros que só apetece beliscar. Há um corte entre a mente e o corpo, e, se é assim, qual dos dois é preferível? Agressão e rebeldia são discutidas. (Aos estudantes particularmente interessados é aconselhada a inscrição num dos seguintes cursos do período de Inverno: Introdução à Hostilidade; Hostilidade Complementar; Ódio Superior, Fundamentos teóricos do Tédio). É dada especial atenção ao estudo da consciência oposta à inconsciência, com muitas ideias úteis sobre como se manter consciente”.

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08 – Virgínia Woolf: “Jamais terei de me recordar ou de me repetir. Sou uma estranha. Posso tomar meu rumo: fazer experiências do meu jeito com minha imaginação. Que ladre a matilha, mas jamais me pegará. E mesmo que a matilha – críticos, amigos, inimigos – não me dê atenção ou zombe de mim, ainda assim sou livre”.

09 – João Cabral de Melo Neto:

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta,
cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas.
O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos,
e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba
de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam
sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas
de automóvel.

10 – Nicolai Gogol: “André Ivanovich quase sentiu medo; julgou-se em presença de um funcionário público. Preciso dizer que, em sua juventude, se tinha visto metido num negócio extraordinário. Dois hússares filósofos, atafulhados de leitura, um esteta falido e um jogador impenitente, fundaram uma sociedade filantrópica, sob a direção de um pulha maçom, também jogador, mas muito eloquente. A sociedade propunha-se um fim grandioso: assegurar a felicidade  do gênero humano, do Tamisa ao Kamtchatka”.

 

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