Guerras e os pesadelos, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Nossos problemas são diferentes e menos dramáticos. Todavia, o consumo de notícias sobre o conflito europeu atormenta os nossos sonhos.

Guerras e os pesadelos

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Norte-americanos, europeus e russos estão brincando com fogo na Ucrânia. Isolados geograficamente do teatro de operações nós brasileiros também seremos incinerados numa guerra mundial termonuclear? Essa pergunta desagradável não pode ser evitada. Após o primeiro míssil convencional ser disparado esse conflito pode rapidamente evoluir para uma incontrolável guerra de grandes proporções. O que está ocorrendo na Europa obviamente produz uma tensão que não corresponde à realidade que estamos vivendo no Brasil. Nossos problemas são diferentes e menos dramáticos. Todavia, o consumo de notícias sobre o conflito europeu atormenta os nossos sonhos.

Na noite de 13 para 14 de janeiro de 2022 sonhei com dois exércitos se alinhando para a batalha. O exército francês usava pistolas do século 18. Os soldados do exército inglês empunhavam revólveres de tambor do final do século XIX. Aqueles que aparentemente estavam melhor armados tinham mais autoconfiança, mas a batalha foi decidida em favor daqueles que continuaram lutando apesar das adversidades.

Antes da primeira fuzilaria, os ingleses esperaram sorrindo os franceses carregarem suas desajeitadas pistolas. Após disparar, os franceses avançaram ferozmente de forma sincronizada com as baionetas nas mãos. Os ingleses ficam apavorados e muitos começaram a fugir. Seus revólveres modernos se tornaram inúteis.

Não sei realmente dizer de onde veio esse sonho. Conscientemente, nunca vi ou imaginei exércitos de diferentes épocas se enfrentando como se estivessem em uma batalha napoleônica travada sem canhões e mosquetes. Isso é muito esquisito mesmo para alguém que às vezes tem sonhos estranhos. Mas esse sonho parece funcionar como uma metáfora subconsciente para as tensões europeias que posso observar, mas não resolver.

Este foi um sonho violento e desagradável com um resultado curioso. Ao acordar e meditar sobre ele, lembrei-me da estratégia de Mao Tse-tung usada contra os EUA no Vietnã: agarrar o inimigo pelas calças, ou seja, encurtar a distância para anular sua superioridade militar e vencer escaramuças negando-lhe a possibilidade de um confronto decisivo em que suas armas modernas e poderosas fariam diferença.

É isso que a OTAN pretende fazer contra o Kremlin nesse momento? Obviamente não sei a resposta. Mas aprendi nos livros que a guerra é um lugar em que o mundo dos fatos e o universo dos sonhos se interpenetram.

Suponho que isso tudo deve ser muito perigoso. Especialmente quando os meios de destruição à disposição dos inimigos assustados não são apenas pistolas antigas, revólveres de tambor e baionetas. 

“Good night. Sleep tight. Don’t let the bedbugs bite.”

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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