Harmônica, a proposta, por Rui Daher

- Assim, minha resposta a Marcola é não. Quem assistiu ao filme sabe que ajo sozinho, e não em bandos.

Harmônica, a proposta

por Rui Daher

Harmônica, nosso serial killer político, inspirado em “Era uma vez no Oeste”, filme dirrigido por Sergio Leone, em 1962, sente-se confuso com proposta telefônica recebida de certo Marcola, e a mim pergunta: “Who´s this guy”?

– Só o conheço pelas folhas e telas cotidianas e seu perfil em Wikipedia.

– Bem, se você pouco sabe, não serei eu, aqui internado no 11º andar do HSL, câncer em estado terminal, que irei saber. Foram inúmeros e insistentes chamados. A partir de um ponto, passei a não atender. Difícil alguém, como você que, em dias de hoje, não pense em se cuidar. 

– Calma, Harmônica. Faz um acorde aí pra mim. Ando muito triste, tristinho.

– Tem bebido pouco, né? Pera.

Durante pouco mais de cinco minutos, meu espírito se enlevou em acordes dos brasileiros Edu e Maurício, e de Paul Butterfield, Sonny Boy, Junior Wells.

– Calmou? E agora?

– Quem está te ligando é o senhor Marcos Williams Herbas Camacho, 51 anos, nascido em Osasco/SP, de pai boliviano e mãe brasileira, ambos falecidos. Se diz agnóstico, e consta que iniciou no crime aos nove anos de idade, cheirando cola na Praça da Sé.

– Acontece muito no Brasil miserável.

– Sim, mas ele, segundo as autoridades policiais, foi parar no cume e na liderança do crime organizado, a partir de São Paulo. É o maior lider da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. Em 2006, propiciou o maior ataque a policiais. Resultaram 45 mortes.

– Não é o meu estilo.

– Sem dúvida, mas se enraiveceu com uma atual transferência de prisão. Tem noções políticas, está indignado com o atual governo. Confessou a amigo meu estar decepcionado com a população-ovelha que está aceitando isso, e então resolverá sozinho com algumas ajudas. Creio que por isso o procurou.

– Sim, Rui, tive dois papos com ele. Mas, e isso você sabe, pois roubou de Sergio Leone, Bertolucci e Morricone, não é o meu estilo. No filme, alguma vez me viu operando em bandos?

– Primeiro, não roubei porra nenhuma. Apenas, estou recuperando-os de um passado que, em tempos atuais, poderia chegar ao ostracismo. Segundo, não terá ele em relação à população-ovelha?

– Pode até ter, mas não serei eu a resolver. Harmônica, querido Rui, tem alvo, foco e método.

– Toca mais uma, vai?

Lindo. Fico sabendo que, incógnito, participou do “Encontro Internacional de Gaitas de Minas Gerais”, em Araxá, 2018.

– Obrigado, meu querido. Mas chegou a alguma conclusão sobre o Plano Marcola.

– Rui, você sabe que saí de um grande filme para me integrar a você, por indicação e devoção que seu Conselho Consultivo do Dominó de Botequim nutre por você. Se não sabes, Darcy, Ariano, Melô, e Dr. Walther me incluíram no seu (!) Conselho.

– Êpa! Está condenado a mais de 330 anos de prisão.

– Assim, minha resposta a Marcola é não. Quem assistiu ao filme sabe que ajo sozinho, e não em bandos. Quem sabe ele logo poderá se integrar ao seu Conselho Consultivo. Alguns anos na Estação Inferno, e se libertará antes do Mito.

 

1 comentário

  1. Esse é um trabalho para Cheyenne e seus homens de sobretudo bege.

    Depois de feito o serviço, a gente entrega ele para as autoridades, pega a recompensa e, na hora do enforcamento, contratamos Blondie para resolver a parada!

    Se bem que, com a proposta do novo Judge, é capaz dele ir direto para Yuma…

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