Harmônica, o primeiro assassinato, por Rui Daher

Harmônica, o primeiro assassinato, por Rui Daher

“Ótimo. Pode me internar, mas saiba, nesta noite Harmônica agirá e o hospital terá um assassinato para resolver amanhã”.   

Assim terminou o primeiro capítulo da série “Harmônica”, rastreador e vingador, a ser publicado pelo grupo jornalístico BRD (Blog do Rui Daher), N&P de Nestor e Pestana, e locuções 2Pi, instalado neste GGN, se os editores e certa margarina permitirem. O personagem foi inspirado no filme “Era uma vez no Oeste”, de Sergio Leone, aqui já citado.

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Interior. Baixa iluminação. Hospital Sírio-Libanês, Rua Adma Jafet, São Paulo, 11º andar. Entra um enfermeiro

– Senhor Rui, sua cirurgia está marcada para amanhã às 8:30 horas.

– Quem é Rui? Sou o Harmônica.

– Que seja. Devem ser os soníferos que lhe aplicamos.

– Como é seu nome?

– Luís Carlos.

– Que seja. Sou o Harmônica. Poderia me deixar em paz?

– Claro. Até amanhã, na maca.

Luís Carlos sai do apartamento no 11º andar, para deixar Harmônica descansar. Não o conhece. Em minutos, nosso rastreador desce ao 3º andar, onde ficam os consultórios. Invade quatro deles. Não importavam os titulares, bastava que lá encontrasse seus algozes e alvos para os assassinatos daquela noite, que muitos se repetiriam.

Na primeira sala, nada. Apenas uma chique Montblanc. Na segunda, no recipiente das canetas, entre lápis, Sheaffers e italianas Auroras, apenas uma BIC tinta preta. Queria mais. Na terceira, jogada sobre a mesa, uma BIC tinta vermelha. Pensou: não irei comprometer minha cor ideológica. Será que desisto? Uma mais, vai. A sala era do médico que havia o diagnosticado com câncer. Harmônica, em trajes pré-operatórios, entrou. Um leve vento suspendeu as suas vestes à mostra das pudendas partes que suas idolatradas paixões, nem reparariam. Lá estava seu alvo, uma BIC de tinta e sangue azuis, com que seria assinada a destruição do País. Berrou no silêncio da madrugada do HSL: “Te assassinarei, infame monstro de minha vingança. E assim continuarei até que vocês, malfeitores de um povo enganado, mas maravilhoso, deixem voltar o povo ao poder”.

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Os próximos relatos serão terríveis e não recomendamos a quem de boa índole e muito menos a quem, inadvertidamente, votou 17.

Harmônica acomodou a BIC Azul sobre o chão. Tinha uma cabecinha azul acoplada sobre seus escritos, que poderiam ser para o bem ou para o mal. Naquela ocasião parecia propiciar o caos. Retirou-a. Destruí-la a pisadas, parecia-lhe leve. Veio uma vontade de fazer cocô, provavelmente os remédios que o enfermeiro havia lhe aplicado. Cagou sobre a cabeça-tampinha azul até cobri-la de fezes. Aliviou-se. Precisava de um plano para o resto do corpo e os excrementos azuis que de lá sairiam, messianicamente, em Brasília. O primeiro chute esmagador não resistiu, era danada a caneta, pois já servira a muitos atos do bem, então, como resistir àquela palhaçada?

Harmônica, como demonstrado na película de Sergio Leone, usou suas duas pistolas de espirrar líquidos. Pensou: “Messias autorizou”. Voltou feliz a seu apartamento no 11º andar do Hospital Sírio-Libanês. O líquido era ácido sulfúrico, de mais alto grau.

Sua primeira vítima, estava estraçalhada e sem ação democrática.

A série continuará, nós, ‘serial killers’ da imbecilidade.

Inté.   

 

 

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