Ih, invernado pleno verão brasileiro, por Rui Daher

Mas voltemos a essa solidão compulsória. Como teria sido, com as mesmas expressividade e letalidade inexoráveis, o COVID-1969, quarenta anos antes do atual.

Ih, invernado pleno verão brasileiro, por Rui Daher

Se bem estou entendendo, acabaram com passado e horizontes. Não iremos mais nos ver?

– Ô Plínio Marcos. Lembra daquela pizza com a Luciana Santos, num restaurante do Bixiga? Nós e uma turma da esquerda da GV. Lembra? Você não tirou os olhos de Cléo. minha linda namorada. Fomo-nos ou estamos indo.

Talvez, ou somente daqui a um bom tempo, boa ventura de alguma graça humanitária ou divina, estaremos aqui por mais um pouco de tempo.

Quem sabe de um iluminado pesquisador ou das grandes farmacêuticas, que sabem terão ganhos estratosféricos, ou mesmo de Deus, hoje bem representado por Bergoglio, em quem muito confio das intenções. Do Primeiro, restam-me dúvidas, pelas maldades que se sobressaem às bondades no planeta.

Estávamos, por acaso, amigos, indo mal nas relações? Não olhando o outro? Desrespeitando-nos? A quem et à cause? Na sociedade brasileira, certeza que sim. Muito disso veio do inominável Regente Insano Primeiro (RIP). Não culpemos, pois, Trump, Xi Jiping, e muito menos aos alegres e distraídos italianos. Desta vez, não. Nem mesmo de RIP, certamente debilitado político, até hoje incapaz de entender o que está acontecendo e suas implicações.

Não se culpem. Avisados foram. Ele foi a escolha de vocês. Aguentem. Várias vezes já fizemos isso com o Brasil. Erramos. Perdemos ótimas oportunidades? Muitas. Somos um país pobre? Muito. Podemos nos recuperar? Sempre, mas cada vez mais distante.

Com ou sem o “coronarinho”, ele e seu ministro da Economia, de qualquer forma, fariam acontecer a pior crise política, econômica e social do Brasil. Ou, para vocês, ainda não táoquei?

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No tal isolamento social, vou sentir saudade ou saudades (?). Dos velhos amigos, em carne e ossos (mais) com quem vivi no tête-à-tête, e dos novos, por enquanto, virtuais.

(?) Observação geriátrica: professor Paulo, de português, no ginasial do Colégio de São Bento, em São Paulo, tanti anni fa, ensinava ser esta palavra do vocabulário não admitir plural. Será? Vejo tantos o usando nas duas formas, que não chegar a uma conclusão. Ajudem-me. Pode ter mudado em sessenta an0s. Quero me atualizar.

Mas voltemos a essa solidão compulsória. Como teria sido, com as mesmas expressividade e letalidade inexoráveis, o COVID-1969, quarenta anos antes do atual. Pesquisem, no mundo e mais ainda no Brasil, quando tudo era mais incipiente.

Como ficariam a revolução de costumes, vindas de Paris, maio de 1968, e de Cohn-Bendit, Brigadas Vermelhas, também, em reação, usados pela sociedade norte-americana para assumir sua derrota no Vietnã e assumir que o planeta não é somente deles?

E a beatlemania e Woodstock revolucionando o pop mundial? No Brasil, em plena repressão assassina, produzindo Cinema Novo, a Bossa Nova, Teatro de Arena, protestos, até a queda da ditadura civil-militar, trazendo de volta Brasil a democracia?

Se o coronavírus fosse destruição total, a humanidade não continuaria como o fez.

Cuidem-se, sim. Ninguém, Estado, interesses da iniciativa privada, bolsominions, estarão preocupados conosco, sobretudo à gauche. Não sabem que a morte quando escolhe é imperfeita.

Tanto que Filó, Filomena de New Zeland Protector Sheepheard, faleceu na madrugada de 21 de março. Diz-me estar e bem, acolhida pelo povo do Conselho Celestial do Dominó de Botequim.

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Acolheram-na com muita alegria, Darcy, Ariano, Melô, Dr. Walther, Alfredinho Bip-Bip, Beth Carvalho, e anunciaram show de recepção e ela. ‘Canjas” de Elton Medeiros. Anotações de Ivan Lessa e Tarso de Castro.

Aviso. Inté. Pra Filó, meu amor. Se puder, volte em meu lugar, nunca serei dar a felicidade que a todos não deu, troco fácil, meu amor.

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