Imperdoável! Há uma semana que não venho ao BRD, mas sem trabalho e renda, de onde o pão? Por Rui Daher

"Capitalismo é equilíbrio entre forças, que parecem antagônicas, mas são convergentes, se houver inteligência"

Foto: Divulgação/Roma Miranda

Durante toda esta semana viajei pelo sul de Minas Gerais. De minha sede, no Palace Hotel, em Poços de Caldas, saí em jornadas diárias pelos queijos frescos e meia cura, goiabadas insuperáveis, cachaças significantes. Mas não só.

Das oito horas da manhã até as seis da tarde, eu e minha sócia, Viviane, na empresa C&F – Campo e Flores Insumos Agrícolas (perdoem-me o jabá, creio que a longeva viagem nesta tela me permite, já que as folhas cagam pra mim e eu para elas) ouvíramos queixas de cafeicultores, produtores de batatas, hortaliças, frutas e legumes.

Queixas, no entanto, que não atingem Jair Bolsonaro e sua estúpida trupe. Claro. Grande parte das Alterosas votou nele.

Satisfação nossa: elogios à linha de produtos orgânicos e minerais, e ao modo de tratarmos os negócios, rodando mais de 1.300 km em quatro dias para visitá-los.

Muito provável, eu morrer descendo e subindo de carros:

– Oi comocetá, mestre João do Muzambo, bão?

– Ah, véio Rui, veio tomá um cafezin’ nas Minas?

– Certin’, mas só se for amargo.

– Mais que a vida?

Mas, detalhes dessas jornadas, específicas, deixarei para a coluna semanal no site de CartaCapital, sempre aqui republicadas com algum aggiornamento.

O que gostaria de narrar é a minha estadia no Palace e os perrengues que vão se acumulando na forma acelerada com que se destrói o meu País e de quem o quiser.

Depois do relaxamento nas águas sulfurosas, do jantar, e do espetáculo de assistir a casais idosos e jovens, dançando em torno do coreto música sertaneja de raiz, sobravam o último trago, o charuto no Jardim Toscano, do antigo Cassino, e espantar a solidão e a desesperança.

Quem sabe pedir auxílio a personagem nobre no passado do local.

– Dr. Walther, me ouve?

– Sempre, Rui.

– Então sabe onde estou.

– Claro, também estou aqui.

– Sério? Mas com todo o Conselho Celestial do Dominó de Botequim?

– Não. Expliquei a eles que você precisava de uma conversa apenas comigo. Entenderam.

– Ótimo. Agradeça aos Darcy, Ariano, Melô, Alfredinho e Beth. Se o Elton Medeiros aparecer, convide-o para algumas aparições.

– Certo. Por que tanta aflição?

– Porque lendo sua biografia, escrita pelo Luís, descobri o tanto de oportunidades que perdemos. Bastava-nos uma democracia e um sistema econômica com a sua mentalidade e de amigos e sócios seus.

– Estão aqui comigo. Vou apresentar alguns. Zé Pelota, Affonso, Walther Quadros, Augusto Frederico Schmidt, Ed Miller, outros mais. Todos me perguntaram se eu conhecia um senhor triste, mas que ao ver uma senhora hóspede sentar-se ao piano do salão e tocar “Blue Moon”, aplaudiu e foi lá cumprimentá-la.

– Não esquecerei. Fiquei emocionado às lágrimas e a mais um malte escocês.

– Pois é, meu caro, o planeta precisa ser defendido de déspotas como o que atualmente tem o Poder Executivo do País e seu ministro da Economia que, vida fácil, pensa fazer um país capitalista vendendo todo o excepcional patrimônio. Capitalismo é equilíbrio entre forças, que parecem antagônicas, mas são convergentes, se houver inteligência. Gente analfabeta, que vive de chavões e não sabem ganhar dinheiro, que não seja da miséria.

– Dr. Walther, esperemos sentados.

– Nunca! Títeres como esses foram derrubados pela burrice. Esmaecem em pântanos podres e tóxicos. Mesmo sem importância, você é fundamental para a racionalidade que um dia virá.

– Como?

– Sim. Vale o pensamento. Se você leu minha biografia, sabe disso.

– Li inteira.

– Então se aprume para a luta. O Brasil é muito maior do que um tosco capitão, que iludiu grande parcela da população. Esqueceram fácil quem fez proeminente o país. Puseram-no na prisão. Politicamente. Mas não os acuse. Estão aí pra isso. O povo é fácil de ser manipulado, na fome, no desejo de cidadania, direitos igualitários sociais, gênero, cor e raça.

– Fosse diferente, todos passariam a consumir e rodaria a engrenagem capitalista.

– Isso! Pede algumas garrafas de champanhe, que meus amigos, agora uma multidão celestial, estão com sede.

– Pra já! Aliás, senti o perfume das Alzirinhas. Fique à vontade.

https://www.youtube.com/watch?v=t4BQmCNRUE4

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