Já! Por Rui Daher

Uma vida cercada de clã, acólitos, apoiadores e terraplanistas não deveria vicejar em país que recuperou a democracia em 1985.

Já! Por Rui Daher

O tempo urge. As mortes crescem com os desmandos e as trapalhadas. Nenhuma autoridade de qualquer país do mundo conduz a crise sanitária como o fazem, no Brasil, o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro e o ministro da Saúde, General Eduardo Pazzuelo. Promovem indicações falsas, desafiam a evolução da ciência, e fazem a população desacreditar nos pesquisadores. Isto, com ignorância que não se restringe a esse setor.

Na economia, mesmo que pífios, os resultados vêm encobertos por cortinas de fumaça e a benevolência da mídia focada em apoiar o mercado financista. Quando não, basta demitir o funcionário público que divulgou a verdade. Foi assim no INCRA e no INPE.

Restou-nos o agronegócio de exportação, que evolui há mais de uma década. Não pela ação do governo, mas por moto próprio que vem de remotos tempos, e se estabilizou em alto patamar de produção e competitividade.

Nada mais merecido, portanto, do que a indicação do agrônomo Alysson Paulinelli, ministro da Agricultura (1974-1979), para o Prêmio Nobel da Paz. Afinal, ajudou a fundar a Embrapa, desenvolveu o potencial da produção de grãos no Cerrado e, atualmente, é um dos idealizadores do sistema integrado lavoura-pecuária-floresta.

Nem por isso, Jair e Guedes liberam recursos para órgãos importantes como Embrapa, Funai, Incra, Inpe, entre outros.

A certeza de que o poder incumbente nem mesmo procura preservar os bens que herdou de governos passados é a forma como agem no mercado interno, em fúria neoliberal, que apenas teve uma pequena reação graças ao consumo de fim de ano e ao auxílio emergencial, contragosto liberado, pressão de devastadora pandemia.

Nem mesmo será preciso lembrar a falta de capacidade dos titulares dos demais ministérios. A maior parte, despreparada para entender a importância da preservação ambiental e da biodiversidade, da geopolítica, da ciência e tecnologia, dos direitos cidadãos, o risco de militarizar o Executivo, e a não compreensão, numa democracia, das incumbências do Legislativo e do Judiciário.

Uma vida cercada de clã, acólitos, apoiadores e terraplanistas não deveria vicejar em país que recuperou a democracia em 1985.

Daí impor-se a imediata queda do governo federal, sejam lá as formas viáveis de se fazer isso acontecer.

Não há mais tempo de espera. Muita devastação já ocorreu, com graves consequências, e que levarão muitos anos para serem corrigidas.

Continuar na insanidade será levar o País a um ponto de não-retorno, diante do concerto de nações do planeta. Estamos em acelerado retrocesso.

O Brasil é muito rico em território, recursos naturais, diversidades populacionais e culturais, história e soberania. Urge não perder isso.

Já!

Nota: nesta postagem do BRD, com muita dor, deixo os costumeiros vídeos musicais e indico excepcional trabalho jornalístico, em podcast realizado por Carol Pires, para Spotfy, revista piauí e rádio Novelo, em “Retrato Falado”, que disseca o ethos de Jair Messias Bolsonaro.

“Em busca de Eldorado” é peça longa, mas essencial para entendermos o que fizemos ou deixamos fazer para infelicitar o Brasil. Revela uma história trágica, já explícita, e que nos afeta de forma nefasta como nunca vista. Pior que os anos de chumbo, não deveriam, pois, ignorá-la.

Se preferirem não entender a história, só posso considerá-los imbecis e iletrados clássicos. Com todo o respeito.

Não esperem comiseração. Assim eles são. Pau na violência deles. Harmônica presente. Ainda que capenga, contem comigo.

https://piaui.folha.uol.com.br/origem-em-eldorado/

https://open.spotify.com/episode/1YZtqK4nc6ivsJHZXHtA6v?si=cbXwMUn8ScOd3aiH8IfT3A

 

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