“Je refuse!”, Epílogo, por Rui Daher

Com 250 mil infectados vocês já ganharam medalha de bronze. Chegarão fácil ao ouro. Dezessete mil óbitos.

“Je refuse!”, Epílogo, por Rui Daher

Ilustríssimos senhores,

Acabo de receber o honroso convite para que ocupe um cargo de ministro no governo de sua Excelência Capitão (se não for mais, desculpe-me, mas razões deve ter) Senhor Jair Messias Bolsonaro. Se bem entendi, o da Saúde.

Desde o início do ano e até a primeira quinzena de março, estive a serviço de uns amigos que precisavam que eu tratasse da saúde de um grupo político, que prefiro não declinar, pois assinara trato de confidencialidade. Acho que cumpri fielmente o objetivo, principalmente, ao exterminar uma seita que estava sendo formada num mosteiro da Itália.

Voltando, percebi na mídia notícias de um morcego, fazendo estragos na China. Pensei no Batman, estressado pelo sucesso cinematográfico do Coringa, mas lembrei-me que ele estava em cruzeiro romântico com o Robin, pelas Ilhas Gregas.

Ao receber a gloriosa, para mim, convocação do Planalto, com várias pastas recheadas de informações, dados, estatísticas, dossiês, assinados pelos senhores Mandetta e N. Tei.

Do último, não sei o motivo de não ter completado o nome. Morreu, esqueceu, deu preguiça? Sei lá.

Li tudo, estudei a doença, novas formas de extermínio, e entendi os óbvios objetivos que os levam a contrariar a opinião da ciência, prestigiosos infecto e imunologistas, a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Como disse, entendi. Idosos aliviariam o sistema de saúde. A extrema pobreza cairia drasticamente. Ociosas terras indígenas e de gordos e inférteis quilombolas, seriam rapidamente transformadas em grandiosos projetos de mineração. Milhões de habitantes mortos, perderíamos alguns hectares de terra em covas coletivas, mas, em compensação, quanto delas sobrariam para atender o PL ou MP 910, vender as terras e imóveis à gringada.

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Claro que entendi, MAS RECUSO O CONVITE.

Sentir-me-ia um covarde. Não pelos nobres motivos acima relatados para aliviar a merda de governo que fazem. Assassino em série não age por piedade, mas contra desafetos pontuais. Tenho os meus.

Com 250 mil infectados vocês já ganharam medalha de bronze. Chegarão fácil ao ouro. Dezessete mil óbitos.

Meus métodos são outros. Nunca se informaram? Pontuo o sujeito mau caráter. Então, degolo, descarrego doze balas na cabeça, enterro vivo, afogo em barril de água, enforco com corda forte, esgoelo com as mãos, quebro pescoços quando fracotes, dissolvo em banheiras com ácido sulfúrico.

Com todo o respeito, como não disse Émile Zola, “JE REFUSE”.

Assinado: Harmônica Bronson de Leone

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