Libertadores, por Rui Daher

Durante a escrita, emocionei-me com todas nossas lutas daquela época e nada para a atual, ainda pior, pois o inimigo se faz oculto.

Nos gráficos de índices de mortalidade, confira a impressionante explosão no Líbano, com 8,9%.

Libertadores

por Rui Daher

É comum ouvirmos que política, religião e futebol não devem ser temas para discussões. Imbecilidade. Deve-se e, claro, é o que mais fazemos.

Se no futebol, melhor ainda, pois não nos leva a grandes conflagrações bélicas. Apenas alguns trogloditas que gostam de espancar e matar torcedores do adversário. Mas estes o fariam por qualquer assunto.

Em qualquer tribo africana, aldeia boliviana, ou hegemônica economia, grupos toscos pegariam em armas por resultado um a zero, gol imerecido no último minuto do jogo? Creio que não.

No sábado passado, houve um jogo para decidir o campeão da Taça Libertadores da América (?), que não a do Norte, tão liberta e invasora.

Disputaram o troféu, no Maracanã, Palmeiras e Santos, dois clubes do estado de São Paulo. O desfecho, para quem não acompanhou os 98 minutos do jogo, já é por todos conhecido. Foi, no entanto, um jogo, não futebol como gostamos de assistir.

Perceberam, né? Moro em bom pedaço da cidade de São Paulo e, por total desavença com aqueles que usam da violência para expressar clubismo, desci ao litoral paulista para me unir a qualquer time da Baixada Santista.

Não priorizava o Santos, de Vila Belmiro e Urbano Caldeira. Se o escolhi para torcer deveu-se aos atacantes Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Poderia também ter escolhido a Portuguesa Santistas, de Ulrico Mursa, ou o Jabaquara (ousado ‘Jabuca’), do estádio Leão da Caneleira. Suas cores, amarelo e vermelho, repetiam as cores de quando no Colégio de São Bento (SP), por volta dos 15 anos de idade, fui veloz ponta-direita.

Soube por meus já falecidos pais que, mesmo antes de entrar na escola primária, aprendi a ler nas páginas da “Gazeta Esportiva”.

Antes de decidir descer a Serra do Mar, em busca de um time para torcer, confesso ter sido palmeirense, um vira-casaca, pois. A tal desatino levou-me o fato de, na adolescência, ter sido sócio do clube da Rua Turiassu. Morador do centro velho de São Paulo, invariável ônibus me levava do Vale do Anhangabaú até o clube.

Na época, sem ainda saber que não passaria de um metro e sessenta de estatura (nem isso mais; em outros escritos já declarei diminuir um centímetro a cada ano), minha opção de prática esportiva era o basquete. Usando a corruptela, por isso, talvez, que não me deixam aproveitar o merecido ócio.

Lembro do fascínio em ver Jathyr, Mosquito, Menon, outros, treinando. E lá ia eu tentar imitá-los. Enterradas não dava, mas era certeiro em jumps de fora do garrafão.

Minha última aparição numa quadra de basquete foi na EAESP/FGV, Avenida 9 de Julho. Nossa equipe, todos membros da esquerda estudantil, pouco desportistas, nos inscrevemos num campeonato interno. Enfrentaríamos os rebentos da elite paulista. Em nossa equipe, apenas o campinense Alfredo Burghi era alto. Tática: os esquivos baixinhos, Bira (salve!), eu, e o cerebral Benê na articulação, partiríamos em velocidade e serviríamos Alfredo no garrafão. Ponto! Assim íamos bem.

Mas e quando eram eles que vinham contra nossas hostes? O que fazer? Bira berrava desfilando Lênin, e logo passando para Ho Chi Minh e o General Nguyen Giáp.

– Ruizinho, tática vietcong!!! Eu logo entendia e logo me jogava sobre as pernas do adversário, derrubando-o.

Assim vencemos os filhotes da ditadura na Fundação Getúlio Vargas.

Durante a escrita, emocionei-me com todas nossas lutas daquela época e nada para a atual, ainda pior, pois o inimigo se faz oculto.

É a esse ponto que estamos sendo levados pelos milicianos de Bolsonaro?

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