Meus focos para 2018, por Rui Daher

Meus focos para 2018

por Rui Daher

No prólogo falado de “Terra Plana”, do álbum “Canto Geral”, Geraldo Vandré assim se define:

“Me pediram pra deixar de lado toda a tristeza, pra só trazer alegrias e não falar de pobreza. E mais, prometeram que se eu cantasse feliz, agradava com certeza. Eu que não posso enganar, misturo tudo o que vivo. Canto sem competidor, partindo da natureza do lugar onde nasci. Faço versos com clareza, à rima, belo e tristeza. Não separo dor de amor. Deixo claro que a firmeza do meu canto vem da certeza que tenho, de que o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza, foi que me fez cantador”.

No almoço de Natal, na casa de antigo e fraterno amigo, participei de uma brincadeira. Se não conseguisse realizar a tarefa deveria pagar uma prenda. Dançar, cantar, declamar. Enfim, com a minha conhecida inabilidade, claro, não consegui.

Paguei recitando o prólogo de Vandré. Ninguém conhecia, nem revelei o autor. Se o fizesse, talvez, não me aplaudissem.

Digo isso porque, neste GGN, ultimamente, mais tendo ido na contramão das palavras do cantador que embalaram mais de 50 anos de minha vida e, a partir de 1968, quando foi lançada a música, se tornou meu hino. Ainda hoje, “o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza” é a base de minhas escritas.

Por que fujo da tristeza, da rigidez, dos sisudos casuísmos autolaudatórios dos tempos atuais? Porque não se precisa de mais um a fazer esse mais do mesmo. Restam como carcaças de um Fla-Flu incongruente, que teima em ressignificar o que é secular.

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Como? Então ninguém leu nada da história do Brasil no século 20 ou mesmo antes. Nem seria necessário aprofundar-se ou mesmo ler algumas obras seminais. Bastava, num lance raso, como os de meu amigo Pires, ter assistido ao filme “Getúlio”. Já estaria de bom tamanho.

Há quase 15 anos estou no colunismo digital com frequência semanal, muitas vezes até diária. Escrevi em impressas sobre agropecuária, quando elas valiam alguma coisa. Hoje em dia, ainda me convidam para analisar o setor. Recuso-me. Prefiro fazê-lo no site de CartaCapital ou aqui, neste GGN. O diletantismo me liberta e permite analisar a gloriosa safra de grãos que teremos e, ao mesmo tempo, dizer que será colhida sobre o trabalho de fantasmas rurais que ninguém vê.

Se, apesar de estar, desde 1998, trabalhando sete dias por semana, sem qualquer período de férias, para superar um desastre financeiro e sobreviver com dignidade, hoje em dia, grande parte de meu prazer vem de GGN (blog) e CartaCapital (coluna) acolherem meus textos, de que me orgulho, pois, as melhores e honestas.

Claro que o meu foco é o meu trabalho, carteira ou contrato assinados há meio século. Quando aqui venho é à noite ou nos fins-de-semana. No mais, sou um mascate agrícola e um cabeça-de-planilha (apud Luís Nassif).

Se acho errado espinafrar a esquerda por causa de Maluf, falo. Se acho excessivas as análises repetindo os mesmos personagens, falo. Se acho que opiniões sem bases históricas, falo. São críticas intestinas, daí responder, praticamente, a todos os comentários em relação aos meus textos. Se o BRD é blog, tem que ter bate-volta.

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Estes, até aqui, os meus focos. Feliz 2018!   

Nota 1. Em 15 anos de colunismo digital nunca divulguei minhas atividades profissionais ou empresariais, hoje, nas imagens, o faço pela primeira e última vez;

Nota 2. Ainda só consigo teclar dom dois dedos, portanto, minhas escritas nunca sairam de alguém alcoolizado. O jeito meio escrachado de escrever, os temas menos óbvios no meu blog, a entender pelos comentários, mais agradam e propiciam alguma graça na infelicidade atual, do que parecem condenáveis.

 

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3 comentários

  1. meus….

    Caro sr. Rui, o sr. que tanto gosta de citar músicas, já em 1976, Elis Regina e Belchior jogavam uma pá de cal sobre “Ilusões e Academicismos” desta Geração de 64. Que por sinal ficou aprisionada naquelá década, como uma espécie de hippies: “Como nossos pais”, já sentenciava. Não à toa, o albúm chamava-se Falso Brilhante. Tem gente até hoje crendo que zircônio é diamante. Tem gente, que ainda hoje, crê que Aécio seja diferente do seu ‘pai’ Tancredo. E uma Nação inteira correu atrás do caixão do seu Salvador. E como é difícil reverter uma Lavagem Cerebral?! O Fanatismo assusta. Centenas de Bandidos e seus seguidores vem à mídia e comemoram: ‘Prendemos Maluf !!!’ Festa na Cleptocracia. Fazer o que? Uma geração inteira vigiando o ‘Boi de Piranha”, enquanto toda a boiada passava. E adianta discutir?. O que adianta discutir é esta falta de interesse que temos, como Nação, pelo conhecimento  O seu. De Belluzzo, Delfim, Samuel P. Guimarães, Gerdau, Luiza Trajano. Katia Abreu, Celso Amorim, Flavio Dino, Roberto Requião, Alm. Othon Pinheiro…Gente que tem o que falar. E falar para o bem do Brasil. Não importa se concordemos ou não. Não é coincidência que rotulemos tão depreciativamente D. Pedro II, um homem culto, estudado, que viajou o Mundo, foi à Feiras Internacionais, para ver o desenvolvimento da Humanidade. É caracteristico do povo que nos tornamos. Quando o sr. ou estas pessoas, deixam de repassar tanta vivência e conhecimento, quem perde somos nós Brasileiros. E quando um país deixa de ouví-los, perde duplamente. Novamente Excelente 2018. Temos um País a construir. abs.  

    • Zé Sérgio, caro

      Os votos para 2018 são os mesmos, com um adendo: a gratidão por sempre ter vindo ao blog com comentários importantes e controversos, quando necessário. Essa interação, desde o início, enriquece muito meu conhecimento e me leva à reflexão. Não me importa a idade, continuarei ajudando a construir o País que queremos. Grande abraço e felicidade aos seus. 

      • Zé…

        Caro sr., nunca importantes. Rasos, inclusive. Mas são só perguntas. Importantes, sempre, são as respostas.  

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