Minhas aventuras no teatro (VI), por Izaías Almada

Depois das férias forçadas regressei a atividade teatral, convidado que fui pelo casal Myriam Muniz e Sylvio Zilber, para integrar o elenco da peça “Cândido”

Minhas aventuras no teatro (VI)

por Izaías Almada

Do segundo semestre de 1968 ao segundo semestre de 1971 minha atividade teatral ficou suspensa por motivos de “força maior”, latu sensu.

Depois das férias forçadas regressei a atividade teatral, convidado que fui pelo casal Myriam Muniz e Sylvio Zilber, para integrar o elenco da peça “Cândido”, adaptação teatral da obra de Voltaire feita por Sylvio Zilber e apresentada no Teatro São Pedro, na Barra Funda.

Foi um período produtivo, pois além de fazer um trabalho atrás do outro, conheci pessoas como Silney Siqueira, Madalena Nicol, Helio Ary, Paulo Autran, Jandira Martini, João José Pompeu, Lafayette Galvão, Kleber Macedo, Ariclê Perez, Lourival Pariz, Bernadette Figueiredo, Grande Othelo, Bibi Ferreira, Marilena Ansaldi, Flávio Rangel, Claudio Mamberti, Benedito Corsi, Jorge Chaia, Ruth Escobar, Ruth Rachou, Mara Borba e muitos outros que marcaram presença no teatro e na dança no Brasil.

Após a temporada de “Cândido”, no Teatro São Pedro, fiz uma figuração (uma pontinha, como se costumava dizer) em “Assim é se lhe parece” de Pirandello, ocasião em que conheci o ator Paulo Autran, indicado a ele por Silney Siqueira que iria dirigir o espetáculo seguinte de Autran: “As Sabichonas” (Les Femmes Savantes) de Molière.

Nesse espetáculo, feito no Teatro Anchieta em São Paulo no segundo semestre de 1971, tive o prazer de contracenar com Hedy Siqueira, Neuza Rocha, Kleber Macedo, Myriam Muniz, Jorge Chaia, Paulo Autran, Madalena Nicol, Helio Ary, Chico Martins e Lafayette Galvão.

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A peça acabou por provocar um acidente exótico e inesperado na carreira de Paulo Autran, pois – como é usual – após a estreia ou nos primeiros dias de apresentação de uma peça, os críticos de revistas e jornais fazem as suas avaliações do trabalho apresentado em suas colunas jornalísticas.

Um crítico do jornal “Última Hora”, de quem já não me lembro do nome, talvez não gostando muito do que viu ou até por ter alguma rusga com o ator, fez um trocadilho maldoso e de mau gosto ao dar à sua crítica o seguinte título: “Essas bichonas”.

Paulo Autran, ao ler a crítica, após uma das apresentações, teve uma atitude totalmente inesperada para todos nós do elenco e para muitas das pessoas que o conheciam. Procurou saber qual o restaurante que o crítico costumava jantar e para lá se dirigiu indo direto à sua mesa tomar satisfações pela indelicadeza cometida.

A arrogância do crítico custou-lhe alguns bons tabefes na cara.

O trabalho seguinte, estimulante e de inegável sensibilidade, “Fernando Pessoa”, apresentado no Teatro Ruth Escobar, foi um trabalho em grupo que contou com a realização de Silney Siqueira, a compilação do texto (poemas) feita por mim, Jandira Martini, Murilo Alvarenga, Luiz Raul Machado, o próprio Silney, a direção musical de Murilo Alvarenga e expressão corporal de Marilena Ansaldi. Em cena: João José Pompeu, Eugênia de Domenico, Goulart de Andrade, Izaías Almada, Luiz Raul Machado, Ariclê Perez, José Carlos Lemes, Neusa Rocha e Auristela Leão.

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Dois anos depois, em 1974, recebi o convite dos atores Claudio Cavalcanti e Roberto Frota para realizar o espetáculo no Rio de Janeiro no Teatro Opinião, aquele mesmo teatro em que fui assistente de Augusto Boal em 1965, quando de sua inauguração com o show musical do mesmo nome.

Antes disso, contudo, ainda pude viver grandes emoções ao participar de duas montagens inesquecíveis do teatro brasileiro: o musical “O Homem de La Mancha”, com Paulo Autran e Bibi Ferreira (1972) e na versão especialmente preparada por Ruth Escobar da peça “Cemitério de Automóveis” para ser levada a Portugal em 1973, direção de Victor Garcia.

Sobre esses trabalhos e essas emoções escreverei na próxima crônica.                                                             (CONTINUA)

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