Minhas aventuras pelo teatro (I), por Izaías Almada

Para chegar nesse, digamos, divisor de águas da minha vida profissional, foram quase 30 anos de outras atividades, outros mundos, outras ideias

Minhas aventuras pelo teatro (I)

por Izaías Almada

Antes de arriscar escrever aquele que seria o meu primeiro livro, o romance A METADE ARRANCADA DE MIM, o que aconteceu tinha eu já 47 anos de idade, jamais imaginei que poderia encontrar na escrita uma ferramenta inestimável de exprimir minhas ideias, de dar algum significado à minha visão do mundo.

Foram dois grandes seres humanos que me incentivaram à escrita e que abriram imensas possibilidades, tivesse eu ou não o talento necessário para a arte de escrever, de seguir uma trilha que me fez conhecer pessoas e lugares ao redor de quatro continentes: Américas, Europa, África e Ásia.

Para chegar nesse, digamos, divisor de águas da minha vida profissional, foram quase 30 anos de outras atividades, outros mundos, outras ideias, mas sempre com a mesma disposição, com a mesma entrega a cada um dos momentos vividos.

A começar pelo teatro.

Aluno do Colégio Estadual de Minas Gerais fui colega de Rodrigo Santiago, meio irmão do escritor Silviano Santiago, que me convidou para conhecer o grupo do Teatro Experimental em Belo Horizonte.

Saído dos cultos dominicais da Igreja Metodista, aos 17 anos de idade, iniciei um percurso jamais imaginado por mim até aquele momento, frequentando o Centro de Estudos Cinematográficos e dois ou três bares noturnos de Belo Horizonte. Saía abruptamente do enclausuramento de uma vida religiosa severa, imposta por meus pais, para uma liberdade jamais imaginada.

Em 1961 e 1962, fiz minha tímida e nervosa experiência como ator, trabalhando em duas montagens do Teatro Experimental, ambas feitas pelo diretor Marco Antonio Menezes: “A Voz da Chuva” (Talk to me like the rain) de Tennessee Williams, contracenando com Gabriela Rabelo e “História do Zoológico” (Zoo Story) de Edward Albee com o ator Ezequiel Neves.

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Ainda sob o incentivo de Rodrigo Santiago e depois de assistir uma apresentação da Escola de Arte Dramática de São Paulo no palco do Teatro Francisco Nunes em BH, mudei-me para São Paulo em janeiro de 1963 onde, numa mistura de surpresa e ingenuidade, mergulhei no mundo do teatro profissional e da política.

Na Escola de Arte Dramática de São Paulo fui aluno de Leyla Coury, professora de mitologia, Mylene Pacheco, dicção, Paulo Mendonça, História do Teatro, Alfredo Mesquita, interpretação, Kitty Bodenhein, expressão corporal, além de conhecer Augusto Boal, que dava aulas para o curso de dramaturgia e que me receberia três anos depois como integrante do Teatro de Arena de São Paulo.

Boal, muitos anos antes de conceber o seu Teatro do Oprimido, mostrou-me que o teatro, mais que um divertimento, era uma ferramenta preciosa de transformação social.

O Teatro de Arena marcou uma etapa da minha vida e sobre o tema escrevi o livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (*). Também organizei com o professor e ator Anderson Zanetti o livro “Boal, Embaixador do teatro brasileiro” (**), uma coletânea de artigos sobre a presença de Boal no teatro mundial.

Tornei-me, nos meus primeiros três anos de São Paulo, um obcecado frequentador de teatros aos finais de semana, época em que as temporadas aconteciam de terças a domingos com oito sessões semanais. Como o curso de interpretação da EAD era noturno, eu aproveitava os finais de semana para conhecer o TBC, o Teatro de Arena, a Cia. Nidia Lycia, o Teatro Oficina, o Maria Della Costa, o Teatro do SESI antes da sua sede na Av. Paulista, o Teatro da Aliança Francesa, O Teatro Ruth Escobar, bem como pouquíssimas idas ao Teatro Municipal.

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(*) Ed. Boitempo

(**) Ed. Metanoia

(CONTINUA)

 

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