O dia que encontrei Jesus, por Janderson Lacerda

O dia que encontrei Jesus, por Janderson Lacerda

Jamais achei que passaria por esta experiência que mudou minha vida – quiçá para sempre. O encontro foi no Maranhão, mais especificamente em São Luís. Eu estava gozando de merecidas férias em um dos estados mais lindos do Brasil. Aliás, dá gosto de ver a recuperação do Maranhão após décadas de espoliação praticada pela família Sarney.

Voltando ao assunto principal desta crônica, o encontro aconteceu de maneira inesperada, eu estava no centro histórico de São Luís, quando senti um leve tremor no chão; assustado, agarrei-me a uma goiabeira. Um rapaz disse-me para não ficar preocupado, porque não era um terremoto. Tratava-se, apenas, da serpente que vive há anos debaixo da cidade. Sorri para ele e segui… Avistei o famoso museu do reggae e decidi entrar, a propósito, Bob Marley se sentiria em casa em São Luís do Maranhão, também, conhecido como a Ilha do Reggae! O museu está dividido em seis ambientes e o que mais apreciei foi à terceira sala, batizada de Clube Toque do Amor. O espaço presta uma “sonora homenagem” aos grandes nomes do reggae nacional; um espetáculo!

Entre o balanço do reggae, a arquitetura colonial e a feira de artesanatos, eu fui despertado pelo ronronar do meu estomago. Mas, o que comer?

Conversei com uma senhora que vendia artesanatos e ela disse-me que eu não poderia perder a oportunidade de degustar o tradicional cachorro-quente de São Luís. Diante da sugestão, caminhei até a Praça Manuel Beckman e deparei-me com uma grande aglomeração de pessoas ao redor de um trailer. Observei que o cachorro-quente era vendido lá. Decidi sentar-me e experimentá-lo. Mal sabia eu que o encontro com Jesus seria naquela praça.

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Um garçom atencioso perguntou qual seria meu pedido. Ele explicou-me como era preparado o “hot dog” e eu não tive dúvida: “vou querer um”!

“E para beber”? Indagou o atendente.

“Quero uma água com gás com gelo e limão”.

O garçom olhou-me com ar de espanto e saiu.

Quando retornou e entregou-me o cachorro-quente disse que não havia água com gás. Foi então que olhei para ele e vi Jesus.

Sim, Jesus estava lá e vestia rosa! Parecia doce e possuía um aroma de cravo e canela. Atônito e com os olhos arregalados, só voltei a realidade quando escutei o atendente dizer: “Senhor como não temos água com gás trouxe Jesus”.

“Meu deus”! Respondi boquiaberto!

“O senhor conhece Jesus”?

“Pra falar a verdade nunca acreditei em sua existência”.

“Mas, ele existe e tem o sabor do Maranhão”.

“Achei que fosse de Belém”.

“Não, ele nasceu aqui”!

“Em São Luís mesmo”?

“Sim, sim. Quer experimentá-lo”?

“Claro”!

Foi aí que ouvi o barulho do lacre sendo rompido e o som do liquido sendo transferido para o copo de plástico. Depois de me servir o garçom colocou a latinha do guaraná mais famoso do Maranhão, Jesus sobre a mesa e partiu.

Há muitos anos eu não tomava refrigerante, mas não consegui resisti-lo. Bebi duas latinhas de Jesus e feliz da vida, ainda, comprei mais uma para viagem.

Tempos depois descobri que a Coca-Cola comprou essa fábrica. Que pena! Por este motivo, decidi não bebê-lo mais… Mas, que Jesus é gostoso, ah, isso é!

16 comentários

  1. ANTICAPITALISMO DE ESTADO ABSOLUTISTA

    A Coca Cola compra mais uma Empresa Brasileira ( aliás a farra das MultiNacionais Estrangeiras) , enquanto sonega impostos recebendo subsídios governamentais, importando até refrigerante. Enquanto isto o Governo Brasileiro prende Empresário Brasileiro, concorrente desta Empresa. Tem gente neste país que não entende a Indústria do Atraso, da Miséria e do Desemprego que faz história há 89 anos. Nem ‘Jesus’ se salva. País de muito fácil explicação.     

    • SUPERFATURAMENTO NAS COMPRAS DA MATRIZ…

      A CC compra xarope de refrigerante de forma superfaturada diretamente da Matriz (como as Empresas Farmacêuticas e outras MultiNacionais Estrangeiras também o fazem) transferindo desta forma bilionárias remessas de dinheiro sem pagar impostos. Como faz isto através da Zona Franca de Manaus, recebe de volta através de subsidios e desonerações tributárias, os impostos que NUNCA pagou. Somente na Pátria da Aberração, do Atraso, do Analfabetismo, tantos Idiotas podem aceitar tal condição. Um dos maiores mercados mundiais para refrigerantes e agregados, um dos maiores lucros e lucratividade, ainda por cima sendo subsidiado por incentivos fiscais do Governo Brasileiro. E tais MultiNacionais ainda podem remeter às suas Matrizes, em outros países, 25% do seu Faturamento sem que paguem impostos !! E dizemos não saber porque Somos a Terra das Favelas, do Escoamento de Fezes a céu aberto, da Malária, Febre Amarela, do QuintoMundismo,… Só nos faltam as penas. Pobre país rico.    

  2. O refrigerante Jesus — que

    O refrigerante Jesus — que assim se chama porque o dono da empresa que o fabricava se chamava Jesus (pronunciado “Jésus”) — tem canela na composição. Imagine um guaraná com gosto de canela! E com uma cor idêntica àquela do sabonete líquido dos banheiros de rodoviária.

    Esse refrigerante não tem meio-termo: ou é amado, ou odiado. É que nem drops de anis, balinha de alcaçuz: não dá pra “gostar um pouco”. Só é possível adorá-lo ou detestá-lo.

    A Coca-Cola comprou o Jesus mas, por motivos contratuais, só o distribui no Estado do Maranhão. Mas em Belém do Pará há um restaurante de propriedade de maranhenses que “importam” o Jesus do estado vizinho.

  3. Nas pequenas coisas,

    Nos produto artesanais, feitos com amor, está as saudáveis delícias da vida. Aí, pela ganância, grandes marcas compram as empresas que produzem produtos deliciosos, tradicionais e avacalham com a fórmula  ou até mesmo acabam com a marca.

  4. Jesus
    Comigo aconteceu algo parecido. Nunca tinha ouvido falar nesse refrigerante.
    Fui à São Luiz para um evento acadêmico na Universidade Federal. Era a defesa de mestrado de uma jovem exatamente sobre protestantismo e cujo professor-orientador é um erudito e boa gente pastor.
    Lá chegando falei do meu espanto ao encontrar na geladeira, do quarto do hotel onde haviam me hospedado,esse tal refrigerante. O que me remeteu imediatamente ao crescimento dos evangélicos e foi exatamente essa a minha primeira pergunta ao colega professor.
    A resposta foram muitos risos e o espanto, de todos que se encontravam na sala, diante da minha ignorância. Como não conhecer aquele legitimo produto da terra?
    Confesso que não bebi.

  5. guarana jesus

       Um amigo me trouxe do Maranhão uma latinha. Tomei e não gosteii.T em um gosto muito forte de tuti-frut.

  6. + comentários

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