O funk de Arthur Lira, por Rui Daher

Favas contadas, precisava ele oferecer festa inoportuna, em momento de pandemia, que já levou à morte quase 250 mil brasileiros, pela Covid-19?

Foto G1

O funk de Arthur Lira

por Rui Daher

O ritmo funk se espalhou, como expressão popular, desde o Rio de Janeiro para outras plagas brasileiras, de prima, conquistando as periferias paulistanas, Paraisópolis, Capão Redondo, Brasilândia, Parelheiros, mais.

Tem sido entendido como manifestação cultural menor. Não é, mas apenas fruto de um conceito elitista econômico e, para alguns, cultural.

Se apareceu, dos rap e hip-hop, precisa ser respeitado. Assim como o foi o síndico, Tim Maia.

Evidências mostram ter sido apropriada pelas quadrilhas de traficantes de drogas e as milícias que fingem a elas se contrapor. Tudo igual. Por lucros ilegais e perniciosos à sociedade, principalmente às mais carentes, pagam bom dinheiro e, assim, se abastecem.

Folhas e telas cotidianas, falsas autoridades, pessoas de “bem”, ao funk se contrapõem. Primeiro, mentem. Dizem só ouviram Bach, Debussy, Wagner, outros mais. Nada! Vão de Luan Santana, Godofredo e Sorocaba (devo ter errado, pouco afeito que sou), Anita (devo dobrar o t, por quê?).

O funk carioca vem das favelas do Rio de Janeiro. Tá bom, em 15 anos de escrita neste espaço, já devem saber que idolatro Cartola, os Nelsons. Sargento, Cavaquinho e Cachaça. Como Jair do Cavaco, Elton, Paulinho, Martinho, João Nogueira, Sem Braço, a madrinha Beth, Zica, Vicentina, Jovelina, e todos os sambistas que, creio, entendem as novas gerações se voltando para o funk, sem se esquecer do samba de raiz.

Agora vem. Preâmbulo verdadeiro, mas não fundamental. Trato de um desprezível, novo presidente da Assembleia Federal Legislativa, o político, pecuarista e Bolsonaro acólito, Arthur Lira.

Favas contadas, precisava ele oferecer festa inoportuna, em momento de pandemia, que já levou à morte quase 250 mil brasileiros, pela Covid-19?

Ganhou, levando em conta o Brasil, ser uma paróquia sem instituições probas? Então, desfrute nossa incúria, relaxe e goze.

Precisava alugar mansão no Lago Sul, Brasília, para aquele regabofe infeliz para tantas abomináveis presenças? O Regente Insano Primeiro, clã, acólitos (muitos ministros (?) por lá), e desimportantes apoiadores, deram-lhe aval? Certeza de que sim.

O Brasil aceita, com razoável apreço do empresariado, mídia e parcela do Judiciário, entrar na fase mais nefasta da história. Impossível comparação, respondendo a um jovem que hoje me perguntou isso. Nunca sofremos de tantas infelicidades política, econômica e social. Pelo menos, em mais de sete décadas de minha insignificante vida.

Em qualquer país do mundo ou estrutura social, a festa da vitória (?) de Arthur Lira, para presidente da Câmara, homens em trajes sabujos, mulheres em colantes tubinhos e coxas expostas, mereceria punição severa.

De minha parte, a morte, lenta, gradual e dolorida.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora