O silêncio dos culpados, por Rui Daher

E o silêncio dos culpados, por quê? Vocês que nele votaram ou que se abstiveram. Piores uns do que os outros? Não me atrevo a discernir, mas acuso a todos por terem causado o maior evento de destruição ocorrido no Brasil, em décadas.

O silêncio dos culpados, por Rui Daher

Não resisto. Também eu entro nessa chuva no molhado. Pela porta errada, talvez.

Foram-se as 24 horas do dia 16 de agosto e de mais um ano de vida. Agora somam 74. O almoço com amigos no Bar da Dona Onça, em São Paulo, o gentil ‘parabéns a você’ do pessoal e fregueses da excepcional casa de repasto, mensagens digitais desejando felicidades, paz, saúde, alegrias, enfim, carinhos de amigos a quem amo e outros, como diria o Everaldo, da Redação do BRD (Blog do Rui Daher), que participam sem que nunca tenha visto suas caras. Não senti falta dos que não se manifestaram por distração ou pela importância que guardam para si.

Ouço os votos, recebo os presentes. Os meneios de praxe: “ah, que bom … obrigado … não precisava … não repare, é apenas uma lembrancinha”.

Abrir pacotes e embalagens são obstáculos de 20 metros para meu corcel de charrete. Pouca perícia, mas sigo: “gostei muito … justamente o que eu queria ganhar … nossa (!) estava mesmo precisando … por que foi se preocupar … hahaha … você é mesmo um gozador”.

O silêncio dos culpados

Passa o dia e vem o primeiro minuto do 17, a que me gustaría volver. Uma leve brisa e os arpejos afinados que a acompanham anunciam frequente presença. O Conselho do Dominó de Botequim. O dia passara e ninguém aparecera. A voz mais grave do grupo anuncia: “Adepto de teorias conspiratórias, pensava que não viríamos parabenizar cronistinha pouco reconhecido, né? A Beth precisou parar na Estação Purgatório para dar uma canja aos que lá chegaram depois das eleições e permitiram entregar o governo ao Insano Primeiro. Coração mole, o dessa menina”.

Abraços de Darcy, Ariano, Melodia, Dr. Walther, Alfredinho e Beth, da Estação Céu. Deu-se o papo.

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Muitos leitores do GGN devem ter assistido ao filme “Silêncio dos Inocentes”, dirigido por Jonathan Demme, em 1991, com Anthony Hopkins e Jodie Foster. Ela, investigadora do FBI, Clarice Sterling, e ele um serial killer (Hannibal) louco e cruel. Clássico a se reconhecer.

E o silêncio dos culpados, por quê? Vocês que nele votaram ou que se abstiveram. Piores uns do que os outros? Não me atrevo a discernir, mas acuso a todos por terem causado o maior evento de destruição ocorrido no Brasil, em décadas.

O País está sendo arrasado por suas ganância, ignorância e fragrância de cocô. Escolham suas culpas. Estão desafiados a falar, discutir, bater panelas, como d’antes fizeram, imbecis de amarelo, babas e babás. Queremos ouvir suas confissões e pespegar suas penas. Estariam revelando não serem assim tão idiotas.

Naquele dia, o maior presente veio com a entrevista de Bob Fernandes (já virtualmente nos abraçamos) com Lula, na TVE Bahia. Poder-se-ia chamá-la “O Brasil que desejávamos”.

Não esperem ver um arrazoado nas folhas e telas cotidianas do patronato sobre essa entrevista. Nele, estariam o Acordo Secular de Elites e a TV Globo, acobertando os ilícitos que pressentíamos, hoje comprovados pelo The Intercept Brasil. Fizeram preso político um estadista.

 

 

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