Ode ao Garçom!, por Janderson Lacerda

Desculpe-me aqueles que acreditam em coaching, mas nada é tão eficaz como a metodologia de um Garçom.

Foto Senac-PE

Ode ao Garçom!

por Janderson Lacerda

Peço desculpas ao meu analista, mas o único profissional que sinto falta nesta quarentena é o Garçom! Se Freud sabe explicar, o Garçom é capaz de compreender!

É ele que nos recebe para comemorar o aniversário, a chegada do primeiro filho, o diploma universitário. O Garçom se alegra com as nossas conquistas, mas, também, oferece apoio na hora da tristeza. Como curar a dor de cotovelo sem o tratamento terapêutico de um garçom?

O Garçom ouve, sem julgamentos, nossas confissões e, ainda que não possa perdoar, oferece a dose certa para o esquecimento e autoperdão. A propósito, o Garçom é um ser tão evoluído que serve a todos sem fazer distinção ao credo religioso, time de futebol e orientação política. Como cantava o filósofo Reginaldo Rossi: “Garçom, no bar, todo mundo é igual”. Neste santuário de embriaguez todos são iguais, até mesmo aqueles que acham que são melhores. E é exatamente assim que o Garçom nos trata: com igualdade!

O Garçom desempenha diversas funções e não é remunerado por nenhuma delas. Desculpe-me aqueles que acreditam em coaching, mas nada é tão eficaz como a metodologia de um Garçom. Alias o que seria de diversos profissionais sem um bom Garçom? O que seria do jornalista sem a principal fonte, o Garçom?

Se tudo isso não for suficiente saiba que o Garçom é capaz de compreender e desculpar a importunação de qualquer bêbado, seja ele chato e valente ou chato e deprimido. Ele perdoa a avareza daqueles que se recusam a oferecer uma misera gorjeta e, mesmo assim, segue a rotina de trabalho até que o último gole, às 5h54 da manhã, seja dado. O Garçom não manda ninguém embora, mas, ao contrário do que faz, é posto na rua pelo patrão sem aviso prévio e sem perdão. O capitalista que enriquece através dos serviços prestados pelos trabalhadores não valoriza o maior dos servidores: o Garçom!

Leia também:  As palavras “nossos semelhantes” estão bem passadas de moda, por Maíra Vasconcelos

*Em tempo: aos bravos leitores que acompanham este blog recomendo o canal do Youtube “Rinha sem galo”, do qual faço parte. O Rinha sem galo é um projeto experimental de debates sobre música, literatura, ciência e política, aqui tudo se discutido, porque entendemos que discordar é viver! Compartilho o link: https://www.youtube.com/channel/UCS4PZZ2ZcXLd1Bzo0UTnBhw/videos

 

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3 comentários

  1. Verdade.
    E muitas vezes, mesmo que involuntariamente, o garçom também acaba revelando a índole de nossos companheiros de mesa. E é bom conhecer bem as pessoas com quem a a gente anda, diga-se de passagem.

  2. Se discordar… estarei não contra a ode, mas a alguns pontos.
    O Garçom, sim merece o reconhecimento e que neste período “pandêmico” notamos a falta que o silencioso e cortês faz.

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