Os 200 anos de Marx e da Coligarquia Brasileira, por Jota A. Botelho

Por Jota A. Botelho

O Brasil é um país único, singular e inigualável no mundo que até nosso Cristo, depois de se naturalizar brasileiro – e antes de ser acusado de ter possuído um triplex em Nazaré e um sítio nos arredores de Jerusalém, evidenciado pela quantidade de ramos em sua procissão pelas ruas daquela cidade – fez um concurso público para juiz de direito e virou Deus. É mole ou quer mais? Vai comendo Raimundo, vai comendo… 
Os nossos governistas inventaram uma forma de governo que deixaria Platão e a sua República dos Sábios com água na boca. Logo os gregos que criaram praticamente todas as formas de governos que conhecemos, culminando com a Era de Péricles, cujo apogeu deixou um legado extraordinário para a humanidade inteira. Basta fazermos uma pequena pesquisa para imaginarmos o que os gregos estavam discutindo e produzindo em suas ágoras, anfiteatros, cantinas, alcovas, vilas e ruelas por toda a Grécia antiga durante aquele período. Embora a Grécia de hoje em dia já está quase superada por nós, para o gáudio de nosso Zeus.

Aqui, durante treze anos, tivemos paz social e a perspectiva de um progresso econômico iminente, e assim mesmo graças à composição das três correntes do comportamento político brasileiro depois de uma quebradeira geral: juntaram o Partido dos Vigaristas, de tantos e tantos nomes manjadíssimos da cena política nacional, com o Partido dos Velhacos ou Liberais Conservadores, o que dá no mesmo, e o Partido Setorista, aquele onde abrigam os setores nacionalistas, trabalhistas, sindicalistas, socialistas, comunistas e todos os ‘istas’ desunidos que conhecemos.

Aliás, se não me falha a memória, esta foi a primeira vez que um legítimo representante dos setoristas, que sempre se definiu como um sindicalista, chegou ao poder. Ao se juntar todos eles enfiados dentro de um balaio grande… pronto: montamos a maior COLIGARQUIA DO MUNDO! É ou não é de dar inveja aos gregos? E agora prestes a fazer duzentos anos, em pleno desmoronamento, graças ao nosso Cristo Concurseiro que ficou enfurecido e – PUM! (não foi isso que você pensou, antes fosse) – implodiu seletivamente com a nossa velha e espinhosa invenção criativa de governo – A COLIGARQUIA! Depois dizem que os deuses não são sádicos.

Deve demorar algum tempo para voltarmos aos acordos de sempre. Desta vez a coisa está sendo orquestrada pelo único Deus do Olimpo que restou no ocidente, o velho DAS KAPITAL. Mas podemos tentar assim mesmo se for conveniente, apesar do racha no interior da Coligarquia. Estamos cheios de candidatos por aí oriundos desse período, hoje prometendo mundos e fundos de progresso e prosperidade para este Brasil Colônia.

O que mais se discute é o candidato que disse que não disse o que andam dizendo que ele disse, e que já está fatigado de ingressar em tantos partidos e por isso mesmo ameaça se filiar ao Partido Democrata dos EUA, principalmente se perder as próximas eleições de Governador-Geral desta grande província. Vive há anos no circuito São Paulo – Howard, em palestras escolares do tipo “Quem sabe viaja” para entusiasmo dos colonizados que se definem como sendo da esquerda neoliberal marxista revolucionária. Temos outros candidatos como – de novo – a Ambientalista do Efeito Estufa, que agora pretende inovar criando o dólar florestal das folhagens das seringueiras desmatadas no norte amazônico. Há também Il Duce Immobiliare, cujo patrimônio é de fazer inveja a milhões de sem teto, e que propõe criar um programa de enriquecimento rápido para os rentistas nativos – “Minha Casa Seu Investimento”. E muitos, muitos outros candidatos para todos os gostos e sabores ideológicos.

Mas o que Karl Marx tem a ver com tudo isso? Ora, o velho barbudo também comemora 200 anos e está en passant no texto, embora se o jovem Marx, considerado um comunista sóbrio, inclusive por recomendação conjugal ao seu grande amigo Engels, tivesse aportado por estas terras no século XIX para pregar o socialismo, logo ergueria um copo de cachaça e, após bendizer o Santo, proclamaria:
Cachaceiros do Brasil, uni-vos! Vocês não têm nada a perder, exceto suas biles!
Agora não adianta nada prometer que nunca mais vai beber. A cachaça subiu, e o preço da caipirinha também.
A resseca será longa, camaradas – avisaria o velho Marx, atualmente destilado na era neoliberal e vendido nas tevês comerciais. Até o século XIX. Fui…

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