Os culpados fomos e continuamos sendo nós, por Rui Daher

Prestem atenção, pandulhos fartos, o deus evangélico que os contempla, é o nosso retrocesso cultural. “Na hora do rush, vamos de ferry-boat”. Grato, Zeca Baleiro.

Os culpados fomos e continuamos sendo nós, por Rui Daher

Durante mais de dez anos, até o final de 2014, o Brasil foi sucesso mundial, finalmente reconhecido como potência emergente e digna em sua soberania. Tínhamos no Poder Executivo um estadista, que fazia equilibrar as forças políticas do país. Social e economicamente todos ganhavam.

Lembro-me de ter escrito colunas-quase-planilhas com estatísticas mostrando crescimento, inserção social e criação de aparelhos públicos para educação e saúde.

Engendrado pelo tripé que forma o Acordo Secular de Elites, empresários sem-capitalismo, militares sem-noções geopolíticas, e folhas e telas cotidianas sem-honestidade, empoderaram a Operação Lava-Jato, um juiz de primeira instância de Curitiba, seu séquito de jovens juízas, neófitos procuradores do Ministério Púbico (não, não me enganei na grafia), delegados da Polícia Federal descompromissados com investigações menos superficiais. Tais ferramentas descobriram a pólvora da reviravolta.

“Grande parte da população está de saco cheio de políticos. Acham todos corruptos. Enfiemos Lula e o PT nesse saco e voltaremos ao poder e às nossas negociatas. Estendamos nossas garras às instâncias judiciárias. Motivemos a população a vestir amarelo a favor do combate à corrupção.  De agora em diante, vale tudo!”

E assim passaram pouco mais de dois anos tecendo o golpe para derrubar a proba ex-presidente Dilma Rousseff, que errou sim, como governos, sem exceção, fazem. Foi levada ao impeachment por “pedalar” recursos para garantir o Plano Safra. Precisava, bancada ruralista, ou não? Quem se beneficiou? Kátia Abreu, sabe.

Em 7 de abril de 2018, mascararam como roubos a prisão política de Lula da Silva, como hoje revelado pela ‘Vaza Jato’, do The Intercept Brasil. Não poderia candidatar-se à presidência. Está preso e digno até hoje.

Caminhamos por dois anos com o anódino e processado Michel Temer, traidor pífio, diferente dos delatores premiados de antigos companheiros que, para salvarem suas peles, foram pagos a comprometer Lula e o PT.

O tripé patrocinou e aonde chegou hoje o País?

Na pilhéria, no inaudito, na destruição de conquistas constitucionais de mais de 30 anos, depois de sairmos da ditadura para volta à democracia. De um povo que reconquistava “festa, trabalho e pão”.

Sacripantas, reconhecem o que fizeram? Claro que não. Ferraram com tudo, para entregar o rabo aos EUA de um inconsequente Trump. Prestem atenção, pandulhos fartos, o deus evangélico que os contempla, é o nosso retrocesso cultural. “Na hora do rush, vamos de ferry-boat”. Grato, Zeca Baleiro.

Tenho uma filha, trabalhando numa multinacional, e hoje morando nos EUA, que diz, “malandragem até aguento, pois logo elimino; burrice e ignorância é mais difícil”.

O Brasil é a menina linda, cobiçada, que na infância mostrava potencial para desenvolver-se econômica, social e culturalmente. Recursos naturais de belezas caboclas, litorâneas, indígenas, metropolitanas, imigrantes.

Pena essa menina, hoje em dia, ver-se indefesa e não ter coragem de denunciar o estuprador que a ataca.

Defenda-se, pois, Brasil-menina. Faça como Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, e lute contra a perda de seus direitos inalienáveis.

Com coragem, que penso ainda persista, poderemos vencer. Às ruas!

https://www.youtube.com/watch?v=8hDrqyZ6WZ0

 

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