Os cus dos perus, por Rui Daher

Por Rui Daher

Desde a metade do mês de dezembro, convidado a confraternizações, almoços, jantares pré-natalinos, e nas próprias ceias hoje-é-em-nossa-casa-amanhã-na-de-sua-mãe, quando há peru no cardápio, peço que, se ninguém se interessar, gostaria de levar o cu do peru para comer em casa.

Não quero aqui, blog cada vez mais sisudo e intelectual, nos piores sentidos das palavras, afrontar ninguém.

Portanto, acalmem-se senhoras polidas ao ponto dos diamantes, sirs com seus cashmeres Blueberry’s sobre os ombros, e jovens economistas pop-star ou distintas grisalhas da USP.

Minha intenção não é a de comer o cu de ninguém, apenas gosto muito do sabor, da maciez, da ausência de ossos rígidos, dos cus, proventrílicos, curanchins, sobrecus, sambiquiras e uropígios de aves, principalmente, as grandonas, potrancas, como as dos perus.

Não me perguntem sobre preferências sexuais. Como saber se ali estava o curanchim (vamos amenizar) de um peru ou de uma perua, creio em maior quantidade pelo que percebemos em folhas e telas cotidianas.

Depois de formada uma boa massa de carnes macias e saborosas, como a preparo?

De todas as formas. Repito: não há interesse sexual em comer tais cus avícolas. Houvesse, confessaria, para que os intelectuais do GGN fizessem suas interpretações psicológicas e, mais provável, psiquiátricas.

O interesse é exclusivamente gastronômico. Invariavelmente, recolho-os já assados. Curioso, me veio agora uma dúvida. Dizem que para matar um peru é necessário, antes, embebedá-lo. Será isso que tanto me atrai.

Dicas: tentem um bom caldo de cus de perus; outra opção, frite-os e faça-os flambar em boa cachaça – se lembrarão de como foram enganados na morte, se revoltarão, e ficarão mais saborosos; se os preferirem frios, por causa do verão, construam rima e solução, adicionem essas saborosas, equivocadamente, chamadas carcaças a um verdadeiro cuscuz de cus.

– Mas, respeitável senhor Rui, responsável pelo BRD, Blog do Rui Daher, e N&P, os sensacionais Nestor e Pestana no Facebook, peru tem um significado diferente de curanchins. São ferramentas de invasão de proventrículos.

– É verdade, como diz o professor Sibila a Verônica Lopes, no imperdível programa da Rádio USP, “Mitologia”.

– Respeitável, Zé. Das profissões e funções dos perus machos não se deve falar. Estão aí, à disposição, todos preparados, mas devem permanecer preservados de divulgação, embora em minhas andanças vejo disposição perua a muitos deles. Fiquemos com o caldo de curanchim, é mais seguro.

– Sé mais uma pergunta, caro Rui e à dupla Nestor & Pestana: o senhor não jogou xadrez, não falou de Gilmar, Aécio, Lula, reformas, golpe, Judiciário escroto, acha que, mesmo assim, irão publicá-lo?

– Sei não, Zé. Se não o fizerem estarão continuando na mesmice. Você leu um cara importante, com destaque, discutindo a prisão do Maluf? Não espere encontrar aqui escritores que, diante do pior golpe que sofreu o País, interrompendo seu caminho de forma mais leve do que o feito dos militares, a luta do Pasquim, Movimento, Opinião, Avanço, Bondinho e outros. Estamos num Estadão de esquerda. E se não publicarem, que diferença faz?

 

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