Os “paraíba” de Bolsonaro – notícia de um preconceito, por Urariano Mota

Bolsonaro negou que tenha usado o termo "paraíba" para criticar nordestinos, pois os insultos se dirigiram “apenas” a dois governadores: Flávio Dino (PC do B), do Maranhão, e João Azevedo (PSB), da Paraíba.

Os “paraíba” de Bolsonaro – notícia de um preconceito

por Urariano Mota

O caso, ocaso do presidente, se deu na sexta-feira passada quando foi divulgado um vídeo com a fala sobre “governadores de paraíba”, até a citação  do nome do governador Flávio Dino, do Maranhão: “Não tem que ter nada para esse cara”. 

Depois, Bolsonaro negou que tenha usado o termo “paraíba” para criticar nordestinos, pois os insultos se dirigiram “apenas” a dois governadores: Flávio Dino (PC do B), do Maranhão, e João Azevedo (PSB), da Paraíba. Mas essa emenda é pior que o soneto. Ainda aqui, nessa aparente restrição, a fala do presidente vai contra a ordem constitucional. Entre outros pontos, determina o artigo terceiro da Constituição Federal:  

“Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”

Na verdade, o “paraíba” do caso do presidente é uma expressão insultuosa, que ainda se encontra entre as pessoas menos esclarecidas no Rio de Janeiro,  onde os Bolsonaros moram. Em dúvida, consulte-se o Dicionário Aulete Digital:

“paraíba

  1. Pop.  Operário da construção civil; PARU; PARAÍBA-DE-OBRA
  2. P.ext.  Qualquer nordestino, sobretudo o que procura a região sudeste em busca de trabalho; PAU DE ARARA”

Também no Grande Dicionário Houaiss:“ paraíba 

4 operário não qualificado da construção civil

5 p.ext.  designação dada a qualquer nordestino fora de sua região” 

E como prova da realidade viva de que fala o dicionário, lembro a agressão verbal do jogador de futebol Edmundo, no dia em que foi expulso por um juiz  cearense no Rio Grande do Norte:

– Olha, a gente vem na Paraíba, um paraíba apita, só pode prejudicar agente, né?

No vestiário, Edmundo, de cabeça fria, deu a seguinte desculpa ao repórter: 

–   No Rio, todo o mundo que é do Norte, a gente chama de paraíba. Você que é do Rio sabe disso. 

O vídeo com o insulto do jogador aqui  

O que vimos acima é prova de que Bolsonaro usou de preconceito contra todos os nordestinos,  no mesmo nível intelectual do ex-jogador do Vasco da Gama.  

Daí que cai por terra o presidente no ocaso falar que se referiu apenas aos paraibanos, como se desse modo o insulto fosse pequeno. Aqui, ele se assemelha a um pistoleiro que negasse ter matado cem pessoas. Para diminuir o crime, o criminoso responderia como tantos outros que já vimos nas páginas policiais: “Cem?! Isso é uma calúnia. Matei apenas trinta…”. 

Ainda nesta semana, em solenidade pública, pois esse presidente é capaz de  se mostrar de pijama e chinelos como um astro pop da decadência, em ato público, diante de câmeras, ele perguntou se o ministro Tarcisio Freitas tinha parentes no Nordeste: “você tem algum parente pau de arara?”. Quando o ministro respondeu que tem parentes no Piauí e no Rio Grande do Norte, Bolsonaro respondeu:

– Com esta cabeça aí, tu não nega não.

E foi às gargalhadas, reforçando o estereótipo de que nordestinos têm cabeça-chata, maior que a média da população brasileira. Bolsonaro se exibe debochado como o homem da caricatura que dizia “eu vendi a dinheiro”. 

O presidente exibe um mal que se reproduz até entre nordestinos, contra a fala do português no Brasil. Explico. Envergonhados da fala de “paraíbas”, chega a existir um extermínio dos sotaques regionais até na voz dos repórteres e apresentadores do rádio e televisão do Nordeste. Os falares diversos, certos/errados aos quais o poeta  Manuel Bandeira se referia no verso “Vinha da boca do povo na língua errada do povo/ Língua certa do povo”, ganham um status de anulação da identidade, em que os apresentadores nativos se envergonham da própria fala. Assim, coração não é mais córa-ção, virou côra-ção. Olinda, que o prefeito e todos olindenses chamam de Ó-linda, nos telejornais virou Ô-linda. Mas toda a juventude no carnaval contesta, quando canta  “Ó-linda, quero cantar a ti esta canção”. Já Ô-linda é de uma língua artificial, que nem é do sudeste nem, muito menos, do Nordeste. É outra coisa, um ridículo sem fim, tão risível quanto os nordestinos de telenovela, com os sotaques caricaturais em tipos de físico europeu.

O que antes era uma transformação do sotaque, pois na telinha os apresentadores falariam o português “correto”, atingiu algo mais grave: na sua imensa e inesgotável “sabedoria”, os comunicadores passaram a mudar os nomes dos lugares naturais da região. O tão natural Pernambuco, que dizemos Pér-nambuco, se pronuncia agora como Pêr-nambuco.  E Petrolina, Pé-tró-lina, uma cidade de referência do desenvolvimento local, virou outra coisa: Pê-trô-lina. E mais este “Nóbel” da ortoépia televisiva: de tal maneira mudaram e mudam até os nomes das cidades nordestinas, que, acreditem, eu vi: sabedores que são da tendência regional de transformar o “o” em “u”, um repórter rebatizou a cidade de Juazeiro na Bahia. Virou JÔ-azeiro! O que tem lá a sua lógica: se o povo fala jUazeiro, só podia mesmo ser Jô-azeiro.  

Em resumo: Bolsonaro expressou do modo mais vulgar, criminoso, o que é um preconceito da gente mais ignorante.  É natural que a fala contra “paraíbas” dê origem a seu definitivo ocaso da presidência do Brasil. 

*Vermelho http://www.vermelho.org.br/noticia/322310-1?fbclid=IwAR0pc2GC2hlBS02lFWwRjpbwUYwAW4cx-XLFC9na6gvM4aZHjFQGwhpGrGo 

2 comentários

  1. A PF NÃO CONSEGUE CAPTURAR O ASSASSINO DE MARIELLE E ANDERSON, VIZINHO DO PRESIDENTE EM CONDOMÍNIO LUXUOSO DA BARRA DA TIJUCA.

    A PF NÃO CONSEGUE ENCONTRAR O QUEIROZ…

    A PF NÃO CONSEGUE EXPLICAR O ESTRANHO ACIDENTE QUE MATOU O EX-GOVERNADOR DE PE E CANDIDATO À PRESIDÊNCIA EM 2014.

    A PF NÃO CONSEGUE ESCLARECER NADA SOBRE O ESTRANHO ACIDENTE QUE FULMINOU COM O MINISTRO TEORI DO STF, ÚNICO ACIDENTE AÉREO DE 2018.

    A PF NÃO CONSEGUE TRAZER QUALQUER CULPADO ÀS BARRAS DA LEI PELO HELICOCA.

    A PF NÃO CONSEGUE ESCLARECER OS 39KG DE COCAÍNA NO AVIÃO PRESIDENCIAL E NEM COMO FORAM PARAR LÁ.

    MAS, EM UM RECORDE DE COMPETÊNCIA, A PF, SEM PERÍCIA DOS CELULARES DOS ENVOLVIDOS COMO O MARRECO E O DEUTANTO DEUTONTO, CONSEGUIU ENCONTRAR – *E VAZAR* – EM #MARRECOQUARA, DIGO, ARARAQUARA HACKER PADRÃO GÊNIO QUE CONSEGUIRAM INVADIR ALGO COMO 1000 CONVERSAS DE ELEMENTOS SIGNIFICATIVOS DA REPÚBLICA.

    SERÁ QUE ALGUÉM DECIDIU ESFREGAR A DIGNIDADE E IDONEIDADE DA PF NO CHÃO?

    🐴🐴🐴🐴

    CHEGAMOS LÁ. NADA NOS DISTINGUE DO CONTEÚDO DA FOSSA.
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2019/07/24/chegamos-la-nada-nos-distingue-do-conteudo-da-fossa-2/

    CHEGAMOS LÁ. NADA NOS DISTINGUE DO CONTEÚDO DA FOSSA.

    “O PIOR MAL É AQUELE AO QUAL NOS ACOSTUMAMOS” – J.P. Sartre.

    Tantas fez o MARRECO que acharam um pato hacker por nome “Alecio” como um bode e não pato. Putaquiopariu. E os patinhos sempre ali esperando o Prato Feito. O PF que a tudo se presta. O PF que não se digna ao respeito saciado e saciando.

    A pedra sobre a fraude, com o PF, com tudo, foi cantada mais de duas semanas antes. Mas, não é que mesmo assim a cara de pau prevaleceu no Prato Feito e serviram comida fria requentada.

    Encontraram condimentos estragados lá em Marrecoquara, um pato hacker e seus asseclas, e ainda colocaram a propaganda do boteco em mídia de grande penetração no mercado. 

    A carinha bonitinha, bonitinha mas ordinária, divulgou para todo o povo que o Prato Feito, sob o comando do chef MARRECO, havia encontrado os condimentos. E, como sempre, idiotas idiotizados de tão manipulados correm para comer a comida estragada, meio envenenada.

    Não perca na restauração wiik, cumida de puteiro pelo chef Marreco, em um belo Prato Feito em Marrecoquara. Saiu do Paraná para Bradilia, com franquia em Marrecoquara.

    Que merda, né não? Cadê a saúde publica?

    “COM A POR*A DO SUPREME DE FRANGO, COM TUDO” – Assanhador Romeiro Jecá

    gustavohorta.wordpress.com

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