Ouvi dizer que a fantasia jamais seria manchete de jornal, por Maíra Vasconcelos

Todo absurdo caberá sempre em um pouco mais de quarenta palavras, um nome completo e aquelas idades pequenas demais para a morte.

Ouvi dizer que a fantasia jamais seria manchete de jornal

por Maíra Vasconcelos

para escutar a leitura do texto: 110420_002

Hoje, ao ler os jornais, percebo que o inverno se foi, ou que nunca deixou de estar presente. Talvez, porque as realidades esfriem demais as mãos, mas principalmente a alma. E hoje, ao ler os jornais, senti a alma geladinha, quando dois parágrafos grudaram em meus olhos o assombro.

Sempre um olho aqui e outro lá: na fantasia. Ouvi dizer que isso é como provocar uma divisão de olhares bem-dispostos às dualidades. Assim, trabalha-se melhor o rumo da reflexão sobre: fantasia e realidade. Aquele olho vesgo. Lembram? Estando aqui neste lugar absolutamente feito para escrever, ou um lugar apenas nublado como dias de inverno. Ah. De novo, o inverno. Ouvi dizer que na arte tudo não passa de repetição propositalmente transformada segundo o decorrer dos tempos. Qual tempo?

Assim, como perceber o próprio cotidiano ser invadido para pensar a união e os limites entre ficção e realidade. E a realidade no jornal sendo demasiadamente esclarecedora e concisa. Todo absurdo caberá sempre em um pouco mais de quarenta palavras, um nome completo e aquelas idades pequenas demais para a morte. Uma morte pequena demais virou manchete de jornal e não desconcertou o país.

Hoje, ao ler os jornais, senti a alma geladinha, quando dois parágrafos grudaram em meus olhos o assombro. Talvez, porque as realidades esfriem demais as mãos, mas principalmente a alma. Agora, já não sei se realmente o inverno se foi. Mas acreditar nisso é como adorar a frase: hoje, ao ler os jornais, percebo que o inverno se foi. Ah. Então essa crônica não é invernal, está decidido. Essa crônica é tão passageira como a fantasia. Além disso, ouvi dizer que a fantasia jamais seria manchete de jornal.

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