Pandemia, Solidão e Luizito Paraguaio, por Rui Daher

Você estudou piano no conservatório da Avenida São João. Tentei alguns dias com uma professora francesa que me expulsou, depois de me flagrar arrancando os peixinhos do aquário dela.

Os Gemeos e Banksy

Pandemia, Solidão e Luizito Paraguaio, por Rui Daher

Como não, tonto, por nulo, branco, não eleitor do PT, bolsonarista, meu Deus, iria esquecer de seu aniversário, 9 de maio, data também do excepcional amigo e colega de trabalho, por muitos anos, Carlo Barbieri, que nos deixou há alguns anos, e por quem até hoje eu e Viviane, sentimos amor.

Pelas suas manifestações recentes, Luizito, ao contrário do seu irmão, o descobridor da luneta, não tenho coragem em considerá-lo bolsominion.

Confio no decano da família, ainda, nós outros subalternos da SESPA, Sociedade Esportiva, Social, Primos da Apronta. Mas, sabe-se lá, tão amorfo está o Brasil.

Creio que nossa associação, na época, usou termos geriátricos. Incorretos, talvez. Não creio termos excluído a prima, Ivone. Era tratada à altura, que nenhum de nós tínhamos. Estávamos, pois, corretos e não machistas.

Pela beleza, o Lileu até poderia ter nascido menina para nos emparelhar, apesar de que o irmão Marco, da Ivone, nos faria vencer.

SESPA, Sociedade Esportiva, Social, Primos da Apronta. Não ouso atualizar nosso dístico. Seriam medíocres.

Desculpem-me, primos. Vá lá que todos acreditem no mito.

Sobre os períodos FHC, Lula, Dilma, cansei de escrever aqui no GGN e na CartaCapital.

Se não valeu, desculpem o atraso intelectual: o RIP, Regente Insano Primeiro (RIP), seu clã, acólitos e apoiadores, são sábios.

Preferi escolher a estupidez esquerdista.

Quer uma “Horta da Luzia”, como bem criou o pessoal de “O Pasquim”, décadas 1960/70, época em que o inimigo era mais visível do que o atual?

Jogo de botões no assoalho do apartamento, quando você me fez flamenguista diante de um Galileu botafoguense; no mesmo corredor, uma cesta de basquete, atrás do vão da porta, que nos fazia os heróis da época, Rosa Branca, Mosquito, Jatyr, Edson, Menon, Emil Rached, tantos outros.

Ih, tem mais! Os encontros amorosos e amassos, beijos prolongados nos corredores e andares do prédio Viaducto, 259 (você, mais velho sempre na frente).

Tesões adolescentes, ingênuos namoricos; o saudoso Mingote morando conosco para a FAU, pileques com “Fogo Paulista”, e para compensar mistos-quentes na padaria, entre a Praça Santa E (I) figênia – até hoje a Cúria não me esclareceu sobre a correta grafia da santa- – e a rua Casper Líbero; lépidos, descíamos e subíamos a rua do Seminário, quando não, chegávamos ao magnífico prédio dos Correios, e postávamos uma cartinha de amor, nunca respondida.

Você estudou piano no conservatório da Avenida São João. Tentei alguns dias com uma professora francesa que me expulsou, depois de me flagrar arrancando os peixinhos do aquário dela.

Bem, meus dedos muito curtos, não iriam mesmo conseguir atender às posições que a francesa me exigia.    

“Merde, ele doit être morte, avec le poisson”

Nóis aqui, mano, parabéns!

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