Pausa, respira, ajusta e segue o baile, por Mariana Nassif

Pausa, respira, ajusta e segue o baile, por Mariana Nassif

Pausar.

Respirar.

Ajustar o entorno e, enfim, prosseguir.

A receitinha parece auto-ajuda e, olha, é sim, é mesmo, é com força. Até porque já passamos do ponto de achar que auto-ajuda é coisa de gente boba, não é mesmo? O que é sim coisa de bobocas de plantão é não experimentar um pouco aqui outro acolá maneiras e mais maneiras de experienciar uma vida mais presente, de presente.

Por aqui, confesso, estava bem difícil respirar. A pausa andava parecendo paralisia e, depois de um momento de enorme foco e construção, feliz da vida comigo, me peguei naquele limiar assustador de não conseguir fazer nada, mesmo estando cheia de coisas pra fazer. Coisas importantes e não importantes também e, para ambos os contextos, paralisia.

Me conhecer, entretanto, tem dessas: sacar meus próprios movimentos e investigar ali na base de dados (êta repertório bom o que o Curso das Emoções vem trazendo!) de onde aquilo vem, para poder alterar ou modificar, com cuidado e carinho, pra onde aquilo vai. E não é que funcionou? Uhun, depois de uma pequena explosão, sim, não deu tempo de treinar tão bem ainda, então larguei umas panelas no fogo e quaaaaase saí andando, culminando num choro-desabafo que só fui entender quando finalmente consegui aceitar a pausa e, enfim, respirar. Se tem uma coisa que o retiro para a iniciação no orixá me ensinou é a ter tempo – e valorizar este tempo – para olhar pra mim. Ao contrário do que dizem pro aí, não é egoísmo, é a mais pura e verdadeira contribuição para o todo. Eu melhor = todo mais potente (e quem diz o contrário deve sofrer é de inveja, sinto muito, que sensação pequena). 

Meu silêncio e tentativa de ser apática com agressões constantes e descabidas estavam me matando por dentro. Voltei a ficar doente, ansiosa, arisca e arredia, insegura de verdade, depois que decidi ignorar solenemente facas pontiagudas que estão vindo em minha direção, bem direcionadas, verdade, mas totalmente equivocadas na forma – abertura pra conversa existe, sempre existiu, mas vem sendo preenchida de raiva e rancor e isso, ah, chegou num ponto crucial por aqui. “Não se importe, isso é besteira”; “tenha empatia, se coloque no lugar da pessoa” e conselhos que variam entre esses dois extremos apareceram por aqui, e tiveram tanta eficácia quando minha escolha por ignorar e seguir o baile.

Minha natureza não é essa. Claro que a opção de reagir e agredir também não mais me cabe, porque eu quero ser feliz, bem feliz, inclusive no momento em que olhar pra trás e sentir que realmente fiz o melhor que pude. Então, a pausa e o respiro me trouxeram uma nova possibilidade: a de pedir ajudar, a de buscar cuidado, a de me aliar com que realmente se importa comigo. Num mundo com discurso tão individualista, dá medo pedir isso assim, de forma tão direta e transparente. Mas foi o que fiz e, no meio daqueles abraços de amor, me reencontro comigo mesma, sabendo ser este mais um momento-movimento e que, como todos os outros, vão passar.

Ajustada, afinada e cuidada, especialmente por mim mesma, sigo – e sigo querendo – cada vez mais direcionada pra onde devo estar: inteira, ligeira e íntegra, pronta para me transformar.

 

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome