Pequena fábula sobre as mulas na era bozolítica, por Wilson Luiz Müller

Desesperados em sua alienação, indiferentes ao futuro e iludidos pelo seu oportunismo, montaram na mula sem cabeça, crentes de serem capazes de bem conduzir a cavalgadura.

Daniel Sinoca

Pequena fábula sobre as mulas na era bozolítica

por Wilson Luiz Müller

Arautos da moralidade, perfilados em todos os botecos e esquinas, recitavam de cor o rosário de versículos apocalípticos pregando o fim dos tempos. Roubalheira, preguiça, insolência, corrupção moral, carnal e sexual.

O vingador que a todos salvaria da ruína viria sob a forma de uma mula branca, pura e imaculada. No lugar da  boca feia comedora de capim, um  bico colorido, exalando hálito morno de chuchu, bico anunciador de boas novas. Financiada, a mula morna, pelos donos da avenida Paulista, fabricada nas oficinas da república de Curitiba, vendida por palestrantes globais e comprada por medianos de boa e má fé.

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Mas a mula falante de bico longo empacou numa poça de lama, e ali, desmilinguida, ficou. Vinda das trevas, apresentou-se em corrida desabalada uma mula sem cabeça, emanação da mula ligeira da Absalão, cabeça arrancada em fuga por ter planejado a morte de pai e irmão. Financiadores, propagandistas, recitadores apocalípticos, vendedores e compradores não queriam perder a corrida, pois estavam convencidos de que essa era  a última mula a passar antes da chegada da hecatombe. Desesperados em sua alienação, indiferentes ao futuro e iludidos pelo seu oportunismo, montaram na mula sem cabeça, crentes de serem capazes de bem conduzir a cavalgadura.

Os cavaleiros, do alto de sua irracionalidade, esqueceram que uma mula sem cabeça não volta a ter cabeça pelo simples fato de ser montada por alguém que acredita ter cabeça.

Por não ter cabeça, a mula pisa onde não deve, dá coice a torto e direito, solta chamas incendiárias pela cloaca que se instalou no lugar onde devia estar a boca, ao tempo em que flatos barulhentos e mal cheirosos saem descontroladamente pela buraco de trás.

Agora os cavaleiros estão confabulando o que é mais perigoso:  desmontar em plena correria e abater depois a cavalgadura, ou tentar entupir a cloaca e o buraco de trás para impedir a  emissão de gases e resíduos tóxicos. Enquanto os cavaleiros não se decidem, a mula espalha destruição por onde passa.

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