Que fazer? Parte 2, por Rui Daher

Tinha outros projetos, em sociedade com Harmônica, decepcionados que estávamos em não agir, vendo a contrafação miliciana e armada tão próxima de nossas carótidas.

Banksy

Que fazer? Parte 2, por Rui Daher

Em 24 de maio, publiquei no BRD, “Que fazer?”, usurpando título de livro escrito por Lênin, não sem antes de Uliánov interagir com meu avô libanês, Miguel, em Brest-Litovski.

Ao afirmar, sábado, que iria até ali perto pegar uns vinis da Jovem Guarda e logo voltaria, eu mentia. A intenção era de ‘never more’. Deixaria o blog no GGN nas competentes mãos de Nestor (N) e Pestana (P), contratados de Mark para o Facebook, e partiria para novas jornadas.

Tinha outros projetos, em sociedade com Harmônica, decepcionados que estávamos em não agir, vendo a contrafação miliciana e armada tão próxima de nossas carótidas. De nada adiantaria ficarmos bamboleando o óbvio humanista, sonhando com frentes democráticas ou de esquerda, contra fatos e fetos de pessoas alucinadas.

Afinal, Regente Insano Primeiro (RIP), clã, seguidores e eleitores, são de tal forma ignorantes, insensatos, fascistas que, para tal, não há argumentos nas ciências humanas que os façam entender sermos mais do que um.

Contarmos com o equilíbrio e a garantia da democracia pelas Forças Armadas, equivaleria a crer que, afora a de pobres para pobres, a filantropia atual, no Brasil pandêmico, não cumpra apenas interesse de compensação.

Restaria, assim, aos de boas letras, formação de palavras e frases justas e democráticas, posições políticas, econômicas, sociais, à procura de menor desigualdade, escreverem abaixo-assinados que abreviassem a ação de endemoniados vírus e verme.

Para nós, parecia pouco ou nada.

Que minha editora desconfiaria e, com escárnio, pensaria ser este um novo mimimi do Rui, era certo. Inteligente, já lidava com este velho abilolado há bom tempo.

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Apesar do domingo passado ter sido o último dia do mês de maio de 2020, eu ouvira falar de manifestações pró-democracia e contra o bolsonarismo turba, o que só me fez aumentar a habitual soneca pós-almoço.

Foi longa e lembro, vagamente, de ter acordado Palmeiras, da Libertadores, campeão. Mudo o canal e na tela aparece a graciosa jornalista, Natuza Nery (terá sido familiar do excelente Sebastião?), um feioso deputado japonês, e mais dois babacas, de quem não sei o nome. Analisavam como negativo o resultado do evento pró-democracia, na Avenida Paulista, organizado por torcidas de times de futebol.

“Houve confronto, e assim os dois lados se igualaram”. Como baratas tontas, confessavam não saber de onde teria partido a violência, embora lá presentes, mas ausentes, se me entendem.

Importava? Ou tão neutra a Globo News, que ainda não conseguiu entender qual a bandeira de “cada um dos lados”?

A vontade foi de correr ao teclado, mas lembrei-me da promessa do sábado, e tomei tino. Será, no entanto, o meu último texto para o BRD. Não adianta insistirem.

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