Que fazer – Parte 6, por Rui Daher

Também tenho clã, acólitos, apoiadores, e ministros indicados por amigos presenciais e virtuais. Obrigado!

Que fazer – Parte 6, por Rui Daher

Pensando o quê? Hoje completo 90 dias de quarentena, respeitando a Organização Mundial de Saúde (OMS), em óbvio desrespeito ao RIP, Regente Insano Primeiro, que junto aos seus clãs, acólitos, apoiadores e ministros, para mim, apresentam esgares abobalhados, fazendo-me temer que nós, os brasileiros, todos assim sejamos.

Violências físicas e desrespeitosas à Constituição e aos Estados de Direito e Democrático; assaques intelectuais por baguais que se juntam às manifestações bolsonaristas; ignorâncias e covardias de quem se esconde atrás de neutralidade mentirosa e de afastamento asséptico para não sentir bodum de pobres, negros e gays. Se sou 30% ou 70%, não importa, desejo, como Harmônica, morte. E sei de quem.

Não se inscrevam, pois! Se eu for antes, não está difícil, vou feliz, sabendo de cor e salteado a quem se dirigem meus desígnios fatais. Também tenho clã, acólitos, apoiadores, e ministros indicados por amigos presenciais e virtuais. Obrigado!

Já sei, uma força-tarefa aqui, embora, de esquerda, mas apenas por curiosidade, me força a esclarecer a história de vovô Miguel Abdala Daher, libanês chegado a São José do Rio Preto, São Paulo, em Brest-Litovski, com Vladimir Ilyich Ulianov, pseudônimo Lenin. As datas estão nos capítulos anteriores.

Quando eles se reuniram, em março de 1918, vovô tinha 40 anos e Lênin, 48. Maduros para mudarem os rumos da Europa e, na sequência dos mundos oriental e ocidental, em busca de socialismo e igualdade.

Entre trocas de doses de Vodca e Arak, vovô me conta ter dito a Vladimir: “ceda por um tempo, a barra tá pesada; primeiro é preciso afastar o perigo alemão que, não virá apenas como uma primeira onda, mas outra ainda mais fatal”.

– Como você sabe disso, Miguel?
– Lógica. Ninguém, além dos sovietes, fizeram uma revolução para derrubar a opressão sobre os trabalhadores. Não pararão nisso.

– Como se, depois da Revolução de 1917, temos exércitos melhor preparados e povo politicamente mais aderente?

– Surpreende-me certa ingenuidade sua, Vladimir. Troquemos, nas duas próximas vou de vodca e você de arak.

– Feito. Mas não estou completamente convencido.

– Acabada a Primeira Guerra Mundial, verdadeiramente vencida por vocês, eles arrumarão um louco para, em 20 ou 30 anos, retomá-la. Assinando o contrato, você estará livre para se aliar às forças ocidentais, destruí-los e fazer do socialismo opção justa e eterna, em quaisquer variantes.

– Será, Miguel.

– Confie. Não estarei aqui para a catástrofe, mas posso intuir quem vencerá. Estou apaixonado e vou me casar com a síria Maria Abrão. Uma graça. Está com 26 anos e combinamos ir para uma terra nova, o Brasil. A Europa demorará para sair de seus conflitos.

– Brasil, América Latina, portugueses?

– Conhece?

– Pouco, mas boa sorte. Quem sabe a gente se encontre de novo e trace um plano para dominar o Brasil?

– Nada disso. Aquele país é muito lindo, rico, e somente deles.

– Tá bom, Miguel. Outra rodada.

Vladimir venceu a Segunda Guerra Mundial e faleceu em Gorki (leiam!), no dia 21 de janeiro de 1924. Vovô morreu, em São José do Rio Preto, SP, a 21 de novembro de 1949. Seu caixão foi visto por um garoto, de nome Rui, que recém tinha completado quatro anos de idade.

E mais, por favor, não me peçam, pois não direi. Perguntem aí no céu para ele. Não esqueçam as doses de Arak.

Nota: Beth Carvalho, madrinha do samba e do Conselho Consultivo Celestial do Dominó de Botequim, por solicitação do vovô Miguel, pediu-me esta preferência dele que pensa misturar Araq e cachaça.

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