Reflexões Carnavalescas, por Izaías Almada

Como não somos foliões voltados para as atividades momescas, resolvemos enfrentar o anátema religioso com algum humorismo entregando-nos literalmente a uma boa picanha maturada... E botar a conversa em dia. A carne é fraca...

Savannah Lynn

Reflexões Carnavalescas

por Izaías Almada

Considerada pelos cristãos de variados matizes e denominações como sendo o carnaval uma festa da carne, do pecado, em oposição ao espírito e a virtude religiosa, achei por bem convidar alguns amigos para um churrasco. 

Como não somos foliões voltados para as atividades momescas, resolvemos enfrentar o anátema religioso com algum humorismo entregando-nos literalmente a uma boa picanha maturada… E botar a conversa em dia. A carne é fraca…

Assim é possível colocar em prática aquilo que, em teatro, Bertolt Brecht chamou de “distanciamento”, ou seja, nos afastarmos por vezes dos acontecimentos e analisá-los criticamente, usando para isso a dialética como ferramenta de trabalho: pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto na procura de um consenso, de um norte para a própria discussão.

Assunto é o que não falta no Brasil do ano de 2020.

Por exemplo: como avaliar e discutir seriamente o momento econômico, político e institucional em que vivemos, quando os principais encarregados de dar rumo e esperanças ao país não respeitam e nem levam a sério o nosso futuro? Fica difícil contrapor argumentos contra a boçalidade.

Programa de governo? O que é isso? Vamos economizar cortando a possibilidade de empregadas domésticas viajarem até à Disneylandia? Ou mandando alguns funcionários públicos vagabundos embora? Brincadeira, não? Fica difícil contrapor ideias contra o preconceito e a estupidez intelectual.

Chamem aí a Regina Duarte e o Roberto Carlos e peçam algumas declarações favoráveis ao governo. Não importa que os fãs deles já tenham mais de setenta anos de idade: os idosos já estão naquela fase de se lembrarem de coisas do passado e não muito do presente. Portanto… 

Agora, então, com computadores, celulares e redes sociais é sopa no mel. Já não se consegue distinguir o que é verdade e o que é mentira. Como já não há em quem acreditar, pois acreditamos em tudo, não é mesmo? Que tal fingirmos que estamos numa democracia?

Vamos fazer de conta que temos um presidente eleito pela maioria, um Congresso vivamente interessado em resolver grandes questões nacionais, um Judiciário que cuida para não haver arranhões à Constituição que conseguimos construir com 245 artigos e não sei quantos parágrafos e um ATO DE DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS com mais 70 artigos e parágrafos…

Que estamos preocupados com o dia de amanhã, com o fato de termos 12 milhões de desempregados, que não estamos nem aí para a punição dos grandes corruptos nacionais, se temos ou não soberania, se somos donos dos nossos próprios narizes, se a inflação começou a subir, se o fascismo bate à nossa porta…

Tanto riso, ó, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão… 

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