Home Crônica Salão de Baile I, por Izaías Almada

Salão de Baile I, por Izaías Almada

Salão de Baile I, por Izaías Almada
Heitor dos Prazeres

Salão de Baile I (*)

por Izaías Almada

         “Presta não. Mulhé assim é chifre na certa!”

         “Qui o quê, sô. É só ocê sabê amansá as bicha…”

         “Óia. Cum essa aí eu conheço quem já tento e num consigiu. A boniteza dela chama os nêgo pra perdição. Se ocê pensa qui é diferente dos otro!…”

         “Penso, não. Eu sô…”

         “Então vai lá e tira ela pra dançá. Quero vê…”

         “E se ela num aceitá?”

         “Ué, sô, cê num disse qui sabe amansá as bicha?”

         “É, e sei mesmo…”

         “Intão vai lá. Ela num tira o ôio doce…”

         “Cê é aqui da cidade?”

         “Sô…”

         “Eu não. Tô só de passage…”

         “É por isso qui El num disprega o ôio doce.”

——————————————————————–

         “Vamo dançá?”

         “Gora não, tô cum os pé duendo…”

         “Intão posso sentá um poquim?”

         “Cê qui sabe…”

         “Cum licença… É qui ocê num disprega os oio de mim…”

         “……………..”

         “Cê é aqui du lugar?”

         “Sô sim.”

         “ Bunita feito égua de raça!”

         “Num sô cavalo não sô.”  (Ri)

         “Eu sei. Tô só cumparando as beleza. Pra mim, os cavalo são os bicho mais bunito que Deus já fez…”

         “Eu queria era bebê um copo de groséia. Tá muito calor…”

         “Intão vamo saí um poço. Lá fora tá mais fresquim…”

———————————————————————————————-

         “Se ocê casasse cumigo, eu era o home mais feliz do mundo!”

         “Cunversa danada, só!”

         “Cunversa, não. Tô falano sério… Purquê qui cé tava me oiando daquele jeito?”

         “Num sei… Bestera…”

         “Cê dexô pingá groséia na blusa. Vai manchá.”

         “Tem portância não.”

         “Eu quiria era um bejo seu…”

         “Cunversa mais danada, sô!”

         “Cunversa , não. Tô falano sério… Um bejo de língua.”

         “Na frente dos otro é sem vergonhice.”

         “Qui nada. Todo mundo beja de língua. Vamo ali pro cantim…”

         “Posso não. Vô ficá falada…”

         “Falada ocê já é… Cumeço de perdição. Foi o qui escutei!”

—————————————————————————

         “Fez cu doce…”

         “Num é mulhé pro seu bico. Larga disso, sô!”

         “Num sussego enquanto num cravá a mandioca nela…”

         “Tá pensano qui é assim, é? A diaba é casada.”

         “Casada?!!!…”

         “O marido já nem liga…”

         “Corno manso du carai… Cumigo ficava presa em casa. Só saía pra cumungá.”

         “É o qui todo home fala, mas ninguém sigura essas danada. Mulhé de fogo na venta, nem o diabo güenta…”

         “Eu pagava quinhentos real prá deitá cum ela…”

         “Si ocê me dé cem real, eu arrumo o negócio…”

____________________________________________

(*) – Conto do meu livro “Memórias Emotivas”/ Ed; Mania de Livro.

                                      (Continua)

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Sair da versão mobile