São João 1, por Rui Daher

São João veio-me à lembrança, em tantas trilhas de alegria, que todos nós, um dia, conhecemos. No deste ano, percebi desalento e decepção de um povo enganado, mas ainda inerme.

Di Cavalcanti

São João 1

por Rui Daher

Sobre RIP, o Regente Insano Primeiro, tudo sabíamos. Foram quase 30 anos em que ele nada escondeu. Desatinos, complôs militares, inatividade parlamentar, ofensas às minorias, truculência, total desconhecimento de economia, tantos outros atributos negativos poderiam ser citados.

Daí, os “nós avisamos” e #EleNão.

Uma coisa, porém, não sabíamos: o senhor que foi eleito presidente da República, por disparos de fake News e evangelização da política, sem programa ou debate com adversários, é um puta pé-frio.

Não bastassem filhos com atitudes contraditórias e ações criminalmente duvidosas, ministros escolhidos em ordem crescente de mediocridade, péssimo entendimento de que a democracia brasileira estabelece três Poderes, e não o “Mando Eu”, o ex-capitão atrai períodos prolongados de secas, “gripezinhas” que se transformam em letais pandemias e, agora, nuvens de gafanhotos a ameaçarem a agricultura sulina.

O que será isso se não má sorte de quem possui mau coração?

Recomendo a ele orações, passes espíritas, candomblé, benzedeiras, búzios, o que mais houver. Sai pra lá, capiroto!

Mas como, galhofeiro, somente desejo o bem para os leitores deste GGN, voltemos ao dia de ontem, 24 de junho, quando, na Redação do BRD, eu, Nestor, Pestana e Everaldo, de máscaras feitas de remendos coloridos, comemoramos a Noite de São João.

Aquietamo-nos e decidimos comemorar à nossa moda. Decalitros de quentão, que poderiam ser as brasas do inferno ou acalentadores braços de caboclas nordestinas e mineirinhas em agitados forrós e arrasta-pés.

São João veio-me à lembrança, em tantas trilhas de alegria, que todos nós, um dia, conhecemos. No deste ano, percebi desalento e decepção de um povo enganado, mas ainda inerme.

Minha receita de quentão não vem do inferno, que por lá não passarei, mas sim do Conselho Consultivo Celestial do Dominó de Botequim. Ameno, de baixo custo, o que se pode:

  1. Vinho tinto (não pode passar de trinta reais; há bons chilenos e argentinos em promoção), a agosto;
  2. Meia parte do vinho em cachaça (preferência pelas ótimas salineiras/MG);
  3. Uma colher de chá de açúcar (sou diabético);
  4. Dois limões espremidos (não precisa ser do siciliano, frescura de falsários chefes de cozinha);
  5. Trezentos gramas de gengibre triturado (é permitido pôr nas bolsas sobras de refeições em restaurantes de culinária japonesa ou chinesa);
  6. Mantenha em fogo baixo por 25 minutos;
  7. Sirva em canecas de porcelana. Podem ser aquelas “Fui a Poços de Caldas e lembrei de ti”.
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Este foi nosso feliz São João 2020. Meus colegas de Redação trouxeram alguns acepipes sólidos, típicos da época. No quintal, assamos batatas-doces e espigas de milho. Surgiram pamonhas, curaus e bolos de fubá. Foi divertido. Everaldo fez a esposa preparar um arroz de suã. Foi criticado com o tradicional “Não precisava”.

Esgotada a última caneca de quentão, percebi que sobrara a mim escrever alguma coisa. Taqui. Foi bom. Se assim não foi o de vocês, façam-no melhor para São Pedro, em 29 de junho. O que virá depois poderá ser pior. Inté!

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