Sem vacina, só uma chuva de dinheiro nos salvará da crise, por J.Carlos e Nivaldo

Dinheiro é um papel pintado que o governo pode imprimir à vontade quando uma parte grande da sociedade fica sem ele por causa de crise.

Sem vacina, só uma chuva de dinheiro nos salvará da crise

J. Carlos (texto), Nivaldo (Ilustração) apresentam

O CANTO DO UIRAPURU

Ridendo castigat mores!

No intervalo do recreio. Todos com máscara.

Simplício: Inauguraram no dia 13 um tal de Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento, IFFD. Que diabo é esse, com nome tão grande?

Angeline: É um grupo porreta de economistas que se reuniu para ajudar o povo a liquidar com a política econômica genocida de Guedes/Bolsonaro.

Simplício: Política econômica mata?

Angeline: Mata sim. Pergunte ao professor Galileu.

Galileu: Claro que mata. Quando se junta com uma pandemia e com um governo incompetente, aí é que se mata mais. Veja o que a política econômica de Guedes / Bolsonaro está fazendo: quer que o pobre fique em casa para não espalhar o vírus, mas não dá para ele dinheiro suficiente para não morrer de fome. Aí ele sai de casa para procurar comida no lixo, pega o vírus, transfere para outros e morre.

Angeline: É o que ele também faz com o desempregado que era remediado, e que agora perdeu a renda.

Simplício: Ué, mas se ele fosse dar dinheiro público de graça para pobre e desempregado, quebraria o Estado. Ou então mataria os remediados de tanto cobrar imposto.

Galileu: É aí que você se engana, Simplício. Dinheiro é um papel pintado que o governo pode imprimir à vontade quando uma parte grande da sociedade fica sem ele por causa de crise.

Angeline: Certo. É que, na pandemia, milhões de empregados não podem trabalhar, e a produção cai. Sem trabalho, os empregados perdem sua renda. Sem renda, deixam de comprar, sequer o essencial. Então a economia vai para o bagaço. Pobres e desempregados não compram e empresários e comerciantes deixam de vender. É um círculo vicioso.

Simplício: Tem saída para isso?

Angeline: Tem. Até eu mesma posso dar a receita. O governo imprime dinheiro, dá para os pobres e desempregados, eles usam o dinheiro para comprar os bens e serviços de suas necessidades básicas, o comércio vende e a produção retoma para um nível tolerável. Isso até que a vacina chegue para todo mundo e os empregados voltam a trabalhar normalmente.

Simplício: Dizem que, se o governo começa a distribuir dinheiro a rodo para pobres e desempregados, a inflação explode. Aliás, disseram que já explodiu por causa do auxílio emergencial, mesmo que tenha sido uma mixaria e não suficiente para todos os necessitados.

Galileu: Você não ouviu o que Angeline disse, Simplício? Se pobres e desempregados voltam às compras, os empresários vendem seus estoques e recomeçam a produzir.

Não precisa haver inflação. Precisa de planejamento do governo para não deixar faltar no mercado os bens e serviços indispensáveis para pobres e necessitados, que receberiam benefício emergencial.

Angeline: Como fazer plano de emergência para equilibrar o mercado e evitar a inflação?

Galileu: Metendo um baita imposto sobre produtos essenciais exportados, como soja, carne, milho e outros, e controlando os preços de diesel, gasolina, gás e energia elétrica. É para essas emergências que existem empresas estatais estratégicas como Petrobrás e Eletrobrás.

Simplício: Por que aumentar o imposto dos tais produtos essenciais?

Galileu: Porque fica mais vantajoso para os exportadores deixar uma parte maior desses produtos no mercado interno para equilibrar a demanda. Do contrário, vendem toda a produção lá fora. Como, aliás, estão fazendo, desabastecendo o mercado interno.

Simplício: Isso não seria intervencionismo estatal na economia, como eles reclamam?

Angeline: Claro que é. Mas para que existe Estado, senão para intervir na economia quando necessário? Os neoliberais é que querem liberdade infinita do mercado para especularem à vontade com a miséria do povo.

Simplício: Então não temos saída?

Angeline: A saída é fazer o que eu e o professor Galileu estamos dizendo. Com a terceira onda do vírus que vem aí, por causa dos estímulos de Bolsonaro para não usar máscara nem evitar ajuntamentos, o genocídio vai passar logo de 500 mil e entrar na casa do milhão. Enquanto isso, Guedes manterá sua política de austericídio.

Simplício: O que é isso?

Angeline: Isso é usar a palavra austeridade para justificar a matança de centenas de milhares de pessoas!

Simplício escreveu na agenda vermelha: É preciso ter muito cuidado com o significado das palavras!

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