Sergio Leone e Beto Brant, por Rui “Harmônica” Daher

Sergio Leone e Beto Brant, por Rui “Harmônica” Daher

Na minha sequência de westerns vespertinos assisti ao, para mim, melhor filme do gênero de todos os tempos: “Era uma vez no Oeste”, “Once upon a time in the West”, “C’era uma volta il West”. Podem escolher, sempre estarão diante da obra magistral do diretor italiano Sergio Leone, lançado em 1968 (que ano aquele, hein?).

As filmagens externas foram feitas em Utah e Arizona (EUA), deserto de Almeria (Espanha), e as internas em Roma, nos estúdios da Cinecittà.

Tanto admiro que tenho o filme em VHS e DVD, mas o assisti no Telecine, embora esteja disponível em qualquer plataforma digital que acessem.

A produção é ítalo-hispano-EUA. Leone, Argento e Bertolucci escreveram a história para que Sergio Donati a roteirizasse. A fotografia é de Tonino Delli Colli e a música de Ennio Morricone.

Mais não precisaria dizer. São luminares do que nos primeiros 30 anos do Pós-Guerra tiraram de gênios italianos o melhor da filmografia mundial.

Mas, digo. Percebam a beleza da tunisiana Claudia Cardinale, hoje com 80 anos, na época aos 30. As expressões de Henry Fonda, falecido aos 77, em 1982. Tantos mais e quem mais me inspirou, Charles Bronson (1921-2003), o misterioso Harmonica, agora minha adoção.

Agora, sim, mais não digo. Assistam ao filme. Final surpreendente ao revelar-se as origem e identidade de Harmonica.

E por que eu Harmonica? Poderia ser “O Invasor”, dirigido por Beto Brant, em 2001, com Paulo Miklos, no papel de um sicário contratado para matar um sócio indesejado, mas não, o argumento não é esse.

Leia também:  Daher & Cia., por Rui Daher

Harmonica tem a expressão que Miklos nunca faria. Quero em mim o cinismo, o mistério, a certeza da vitória final, pois não estarei sendo, pelo contrário, estarei pagando para a vingança.

Isso inclui a todos. Sem perdão aos que me processam pelos meus escritos opinativos e galhofeiros. Com mais leveza, ainda que imperdoáveis, a familiares e amigos que transformaram o país onde nasci o cu da cobra do planeta.

Apesar dos pedidos e conselhos, não aliviarei. Aos primeiros que me processaram, já estipulei destino. Velório no Clube Harmonia ou Paulistano, enterro no cemitério São Paulo, coroas apenas de tulipas holandesas e rosas colombianas, caixão de mogno, vestes em sapatilhas Ferragamo, camisas sociais do meu velho camiseiro Augusto (não sei onde anda), gravata Carolina Herrera, perfume Dunhill que se misturará ao odor de cadáver que progride. Aos presentes serão doadas camisas polo cor-de-rosa.

Se quando ocorrer o evento for inverno, acompanhará um cashmere Burberry.

Espere. Não quero conversar com seus advogados robotizados contra mim. Tutela antecipada, né? O processo já me chega decidido por juiz recôndito em seu bolso? Quero ver se sua baixa estatura, como a minha, seu Botox para copiar, suas ideias para afastar. Suas profissões, como agora me diz Zeca Baleiro, “sujas e vulgares”.   

Harmonica, como em “Era uma vez no Oeste”, sempre vence no final. Aguardem. De mim, não terão um minuto de sossego.

Esperem. Entre 1964 e 1985 não foi diferente. E venci!

https://www.youtube.com/watch?v=VarB3lqJMaE]

Leia também:  Ode ao Garçom!, por Janderson Lacerda

[video:https://www.youtube.com/watch?v=Q3XAEAYpUIU

  

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

5 comentários

  1. Grande Ennio Morricone

    Bom dia caro Rui,

    Aproveitando, penso que no mesmo nível, o “Três homens em conflito” e a fala “antológica” ao irmão do “feio” que era um padre em que os dois discutem suas origens e ele, o feio põe o dedo na ferida: “…no México os pobres só tinham dois caminhos, ou se faziam PADRES ou  BANDIDO. Todo o conflito da guerra da Secessão com pitadas de humor acido. Eli Wallach nota mil.

    Sugeriria também “Quando explode a vingança” com James Coburn e Rod Steiger. Um faroeste com discursos sobre as várias formas de manipulações quando o conflito politico se transforma em social pelas armas, com direito a uma “palinha” do conflito do Exercito Republicano Irlandês (IRA).

    Característica principal do indicado por você e os dois que adiciono: As músicas que entrariam em todas as listas do Nassif. Ennio Morricone é essencial.

  2. Era uma vez… O cinema de Sergio Leone

    Em um ano sui generis, como este, rever filmes de Sergio Leone ou 1.900 de Bertolucci, lembra que a roda-viva não para e que o mal que saiu da lâmpada para ela vai voltar. 

    Um ano novo para Rui Daher e demais companheiros de luta.

  3. Boa, Rui!

    Tenho uma dúvida. Quando teremos ano novo de novo? Parece-me que um ano velho nos espera.

    Abraço a todos.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome