Shakespeare não conheceu o Jair, por Izaías Almada

O resultado é a tragédia amorosa conhecida de todos: Otelo mata Desdemona e, sabedor do engano cometido, suicida-se.

Shakespeare não conheceu o Jair

por Izaías Almada

E ainda bem, senão um de seus mais famosos personagens, Iago, da tragédia “Otelo”, correria o risco de ser até considerado uma espécie de madre Tereza de Calcutá.

Preterido na sua promoção como alferes pelo jovem Cássio, Iago constrói ardilosamente um plano para intrigar o seu desafeto contra Otelo, patrão de ambos, a serviço do Doge de Veneza. 

O ardiloso e perverso plano de Iago dá certo ao conseguir convencer Otelo de que Desdemona, sua mulher, o traia com o tenente Cássio. 

O resultado é a tragédia amorosa conhecida de todos: Otelo mata Desdemona e, sabedor do engano cometido, suicida-se.

Nesses dias de tristes notícias diárias, com o aumento em alguns países da contaminação pelo Covid-19, fica difícil concentrar-se e dirigir a atenção para temas que possam levar o leitor a relaxar um pouquinho e diminuir o stresse causado pelo nervosismo que acompanha as notícias do Brasil e do mundo.  

Nervosismo que se justifica quando se constata a existência das fake news misturadas às notícias verdadeiras que procuram informar e dar conta do grande esforço que se faz para controlar a pandemia.

Descompassadas, contraditórias, maldosas, por vezes irresponsáveis, muitas dessas notícias invadem o nosso dia a dia como uma manada de búfalos em disparada cega pelos campos e pradarias onde habitam, destroçando até mesmo os nossos sentimentos de compaixão e solidariedade para aqueles que não contam com os recursos e as possibilidades de se socorrerem minimamente de uma “peste negra” em pleno século XX.

A maldade se instalou em Brasília, mais escancarada no poder executivo, para não generalizarmos. O Iago do Palácio do Planalto, despido de qualquer riqueza poética shakespeariana em seus discursos de três minutos e frases curtas no twitter, conseguiu em 15 meses de mandato criar a imagem de pior presidente da história republicana do Brasil. Uma espécie de Robin Hood às avessas. 

O ódio, disseminado pela inveja e, sobretudo, pela incompetência, contaminou o solo pátrio, irrigando as terras férteis da nossa soberania, da nossa independência e do nosso desenvolvimento com os agrotóxicos da pusilanimidade e da insensatez.

Até quando?

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4 comentários

  1. Que aflição em que vivemos acompanhando esse governo. No dia da eleição de Bolsonaro eu fiquei a pensar como iriamos viver esse tempo. Alguém disse para não ser pessimista que não poderia ser tão ruim, assim. Pois tem sido bem pior do que minha vã razão acretiva. Por falar em poeta, lembro versos de Elomar Figueira:
    “Campo lindo ai qui tempo ruim
    Tu sem chuva e a tristeza em mim
    Peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abrãao
    Prá arrancar as pena do meu coração
    Dessa terra sêca in ança e aflição”
    Até quando?

  2. Shakespeare descreveu Bolsonaro! Seu perfil está espalhado em várias peças do Bardo! Olá essa “Esse sujeito tem tudo que um homem honesto nao deve ter… e do que um honesto deveria ter nada tem”. Isso pra começar!

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