Sobre meninos que descobrem o vento, por Eduardo Ramos

Falemos do menino retirante, que chegou em São Paulo nos anos 50, fugindo da seca e da fome em seu Estado natal, Pernambuco.

Foto Ricardo Stuckert

Sobre meninos que descobrem o vento

(ou, uma homenagem ao menino William, a Lula e a todos os que nos trazem os sonhos…)

por Eduardo Ramos

Esse breve artigo é sobre um filme. Na verdade, é sobre um filme, seu personagem principal e todos os que, como ele, “descobrem o vento”…

Pelo título do artigo, penso que todos já descobriram de que filme eu falo, não? Sim, do filme que tem emocionado milhões de pessoas em todo o mundo: “O menino que descobriu o vento”.

Não vou cometer o crime de contar o fim da história ou qualquer outro detalhe que estrague a surpresa dos que ainda não viram o filme. Vamos falar da essência do filme, daquilo que o torna tão humano e, na verdade, universal. E vamos falar dos personagens que podemos lembrar, com o exemplo do menino de que fala o filme.

William é uma pessoa real. O filme retrata sua vida, sua luta, sua fé inabalável que ideias e ações podem mudar a realidade à sua volta. Nas várias resenhas que li sobre o filme, a palavra comum é FORÇA. Como poderia ter sido CORAGEM, ou DETERMINAÇÃO! Na verdade, o filme é sobre A ESPERANÇA TRANSFORMADA EM FORÇA E AÇÃO, não a esperança inútil dos que acreditam que, do nada, as coisas possam acontecer e realidades possam ser transformadas. Aliás, uma das maiores lições do filme, e isso o faz realista e não um “romance barato”, é que são as AÇÕES DOS HOMENS que criam a miséria, a fome, o desespero, como são as AÇÕES DOS HOMENS que podem criar as soluções para todos os sofrimentos que afetam bilhões de vidas em nosso planeta.

A história de William, sua família e sua aldeia, se passa no Malawi, pequeno país africano, e logo

percebemos que o desmatamento desvairado, incontrolável, provocado para a abertura de terras para a agricultura, devasta de modo perverso as florestas imensas e seculares do país. Descobrimos que a quase extinção das florestas traz consequências terríveis, como a seca implacável, e com ela, a fome, a miséria, a IMPOSSIBILIDADE das famílias se sustentarem mesmo no nível mais básico, conseguirem o alimento necessário para a sua sobrevivência…

Alguma semelhança entre o pequeno Malawi e o gigante Brasil…?

Afastado da Escola porque seu pai não pode pagar seus estudos, William descobre uma biblioteca. É lá que alimenta sua alma de conhecimentos, e “descobre o vento”, como força da natureza capaz de produzir energia, mover moinhos, mudar a sua realidade, a de sua família, a do seu vilarejo… E mais não conto, que os curiosos para ver a trajetória incrível de William, assistam o filme…

Vamos falar das outras pessoas, que, como William, “descobriram o vento”, essa “coisa tão óbvia”, e que no vilarejo de William, ninguém parecia saber ser capaz de mudar a REALIDADE. Como em um certo país gigante, chamado Brasil…

Falemos do menino retirante, que chegou em São Paulo nos anos 50, fugindo da seca e da fome em seu Estado natal, Pernambuco.

Falemos dele, amado ou odiado por milhões de brasileiros, Luís Inácio Lula da Silva, o Lula.

Porque ao vermos a história de William – e quem assistir o filme verá! – é impossível não enxergarmos que, muitas vezes, MUDAR A PRÓPRIA REALIDADE, E ATÉ A REALIDADE DE UM PAÍS INTEIRO, às vezes, é apenas isso – “descobrir o vento!”…

Lula é esse menino, que ao se tornar líder sindical, sonhou um partido dirigido por e para os trabalhadores, e depois do partido, sonhou um país diferente, onde os pobres e miseráveis tivessem acesso a empregos melhores, renda melhor, conta em banco, crédito para montarem suas pequenas empresas, oportunidade de estudo, um país em que a SENZALA, se aproximasse um pouco das coisas apenas alcançáveis pela CASA GRANDE…

Lula foi o estadista que pegou a semente mal plantada do bolsa família, e a regou, melhorando a vida de dezenas de milhões de brasileiros… E veio FIES, e veio PROUNI, e veio o Luz para todos, e vieram dezenas de Escolas técnicas e Universidades Brasil afora, e era tudo tão simples, que parecia fácil fazer tudo o que ele realizou em apenas oito anos de governo…

Lula não “inventou o vento”, ele apenas o “descobriu”, fez o que ninguém antes dele fez em 500 anos: provou, demonstrou, trouxe à REALIDADE, o sonho que achávamos impossível: TIRAR O BRASIL DO MAPA DA FOME!

Só esse feito já merecia que fosse reconhecido como é, em todo o mundo, por todos os grandes intelectuais e governantes do planeta: como um dos maiores estadistas de todos os tempos!

Não inventou modismos, não trouxe teorias inovadoras, apenas distribuiu renda, crédito, oportunidades, cotas para negros e outras minorias nas universidades, FEZ O VENTO RODAR OS MOINHOS PRESOS PELAS OLIGARQUIAS PERVERSAS DO NOSSO PAÍS, e com isso criou uma nova realidade. Mudou vidas, famílias, recriou a história de milhões e milhões de brasileiros…

Hoje, o Brasil é outro!… Sangramos, choramos, sofremos o desmonte do legado deixado pelo “presidente que descobriu o vento…”. Casa Grande não aceita ainda a libertação da SENZALA, nossas elites e classes médias não odeiam Lula por ser um “chefe de quadrilha” ou “corrupto”,  Lula é vítima de um ódio de classe, um ódio narcísico, doentio, daqueles que não podem deixar de se sentirem únicos nos seus privilégios seculares…

Onde, então, o legado de LULA?

O legado de Lula são seus feitos, suas realizações! O legado de Lula foi exatamente esse, o de “ter descoberto o vento”, o ter PROVADO que não era e não é em vão o nosso sonho de um Brasil soberano, justo, solidário, includente, democrático…

Essa é a nossa luta, como foi a luta de William em seu pequeno vilarejo, como foi a luta do maior estadista que já teve o Brasil.

Sigamos todos nós, que amamos a justiça, a verdade, a democracia, a soberania do nosso país, que desejamos o fim da miséria, da fome, de nossas mazelas todas, sigamos o exemplo de Lula, o exemplo do sonho, o exemplo da luta incansável, o exemplo de “descobrir o vento!”.

A luta não acabou!

Façamos de novo, de novo, e de novo, e sempre que necessário, o impossível se tornar possível.

(eduardo ramos)

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